O movimento proTEJO reiterou a rejeição à construção de mais açudes e barragens no rio Tejo, defendidos no Projeto Tejo, e anunciou a entrega de um memorando ao Governo onde aponta os seus impactos negativos ecológicos e económicos.

“Vamos entregar o memorando em mãos à ministra da Agricultura devido a ter sido lançado um concurso público para avaliar o potencial hídrico e hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste através do regadio, no valor de 400 mil euros, e que tem sido propalado pelos promotores do Projeto Tejo como veículo de fundamento do seu projeto”, disse hoje à Lusa Paulo Constantino, porta-voz do movimento ambientalista com sede em Vila Nova da Barquinha.

Em comunicado, o proTEJO anunciou que vai realizar no dia 9 de Junho uma “demonstração de cidadãos” que irá consistir na “entrega do memorando ‘Por um Tejo Livre’ à ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, onde se pretende demonstrar a existência de alternativas a mais açudes e barragens do Projeto Tejo, bem como desmistificar os seus mitos”.

Segundo Paulo Constantino, esta acção “acontece visto que o Ministério da Agricultura lançou um concurso público para avaliar o potencial hídrico e hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste através do regadio, com a captação, armazenamento, transporte e distribuição de água, com delimitação de regiões potencialmente irrigáveis, e análise dos impactes socioeconómicos e ambientais”, projecto com o qual o movimento diz não concordar em defesa de um rio livre.

“Esta é uma acção de defesa de rios vivos sem poluição e livres de açudes e barragens para assegurar a conservação dos ecossistemas e ‘habitats’ aquáticos, o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas e os fluxos migratórios das espécies piscícolas”, afirmou o dirigente ambientalista sobre o memorando que “apresenta soluções alternativas” ao preconizado pelo Projeto Tejo.

De acordo com um dos mentores do Projeto Tejo, Jorge Froes, aquele projecto prevê um investimento 4,5 mil milhões de euros para fornecer água a 300 mil hectares das regiões do Ribatejo, Oeste e Setúbal nos próximos 30 anos.

O objectivo é criar um “espelho de água contínuo através da construção de seis açudes até quatro metros de altura entre Abrantes e Lisboa, com escada passa-peixes, que vão tornar o Tejo navegável, e com estações elevatórias que vão permitir bombar a água para as encostas da Lezíria e também da zona Oeste”, indicou Jorge Froes, para quem esta é “a solução” para resolver o problema da falta de água.

O movimento ambientalista, por sua vez, defende a “realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) pelo Ministério do Ambiente que integre o desenvolvimento de estudos de projectos alternativos com base nas metas da Estratégia para a Biodiversidade 2030 e das Diretivas Quadro da Água, Aves e Habitats”.

Esses estudos, defendem os ambientalistas, devem ter em conta “todas as alternativas, ambiental, financeira e tecnologicamente mais eficazes”, a par de uma “politica de recuperação de custos dos serviços da água e o uso adequado do erário público, considerando o custo de oportunidade” destes projectos.

Ainda segundo o movimento ambientalista, “a ponderação de projectos alternativos não está a ser assegurada”, daí a “preocupação quanto ao rumo que parece estar a ser tomado com a apresentação do Projeto Tejo como única alternativa e solução definitiva para garantir água ao sector agrícola do Baixo Tejo e Oeste”.

O movimento alerta também para os “graves impactes ambientais negativos que se podem antecipar ao nível da degradação do solo, da qualidade do ar e da água, da conservação dos ecossistemas terrestres e aquáticos, e da preservação alargada a toda a biodiversidade, que virão agravar todos os problemas até hoje identificados no rio Tejo e em toda a sua bacia, e acrescentando, por essa via, mais e maiores pressões sobre a sustentabilidade da vida”.

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