O Museu Diocesano de Santarém recebe este domingo, dia 30 de agosto, às 18h00, a cantora Márcia para um espetáculo no seu pátio, no âmbito do Concerto de Verão +MUSEU2026. O programa, que celebra o décimo segundo aniversário da instituição cultural, constitui um momento de encontro entre a comunidade e a arte sacra. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, Eva Neves, colaboradora da Diocese de Santarém, traça o percurso de mais de uma década de atividade do espaço.
Que balanço faz destes 12 anos de atividade do museu em Santarém?
Só devemos fazer um balanço muito positivo, porque este projeto foi muito arrojado e difícil de implementar. Penso que estávamos todos muito longe de perceber o que era manter uma porta aberta, em permanência, durante 12 anos. Chegámos a 2026 e percebemos que estamos com uma atividade muito bem implementada, que fizemos um crescimento do número de visitantes, da dinâmica cultural, do crescimento do estudo e valorização das coleções que estão ao nosso cuidado. Também é um crescimento na forma como a cidade nos acarinha e a Diocese reconhece o nosso trabalho.
A Eva Neves colabora com a diocese há cerca de 20 anos. Como foi fazer parte da equipa que pôs de pé este museu?
Em 2009, quando se assinou o Acordo de Cooperação Estado-Igreja, iniciou-se um grupo de trabalho que pensou quais eram as necessidades desta Catedral em termos de recuperação, de acolhimentos ao público e das várias valências que o espaço podia ter. Como a casa possuía espaços que não tinham nenhuma função e precisavam dessa valorização, pensámos em associar um museu à Catedral.
Para mim é um orgulho poder ver nascer um projeto desta envergadura. Estava longe de imaginar que isso pudesse acontecer e até de uma forma tão rápida.
Quais foram os maiores desafios que o museu enfrentou nesta última década?
Houve um desafio muito grande, o período da Covid-19, em que fomos obrigados a encerrar. Em 2019, quisemos comemorar o nosso quinto aniversário de uma maneira diferente, um bocadinho o protótipo daquilo que fazemos hoje em termos da programação +MUSEU. Fizemos duas candidaturas, porque precisávamos de apoios para promover estas dinâmicas culturais. Em meados de março de 2020 fechámos e foi tudo cancelado. Os museus não estavam autorizados a abrir e nós não tínhamos outros recursos, a não ser da própria diocese, dos rendimentos da bilhética e dos eventos que promovemos.
Foi muito difícil, mas tivemos de nos reinventar e aproveitar o facto de não podermos abrir portas para desenvolver projetos que já estavam parados há muito tempo e que precisavam da nossa atenção. Foi nesse âmbito que conseguimos realizar o catálogo do museu.
Quantas peças compõem atualmente o acervo da instituição e quais são as suas ‘jóias da coroa’?
Nós temos cerca de 115 peças em exposição permanente e temos tantas outras em reserva. É sempre muito difícil fazer uma seleção de peças, mas há uma que não podemos nunca deixar de referir, que é o Cristo Mont’Iraz. É uma escultura muito rara, não só pela sua antiguidade, mas também pelas suas características formais, estéticas e pelo peso que carrega de um milagre que lhe está associado.
Depois podemos falar de peças muito curiosas, como as duas tábuas que representam a pintura da Anunciação. Elas surgiram quando estava a ser desenvolvido um trabalho de conservação e restauro no retábulo-mor da Igreja de São Batista do Pedrógão, no concelho de Torres Novas. É a pintura mais antiga do museu, é mutilada, mas com uma cena muito importante na simbologia e no discurso deste, a Anunciação.
Quais são as grandes prioridades do museu para os próximos anos?
Temos um objetivo muito grande de manter anualmente o incremento de visitantes. Com esta programação cultural a que chamamos +MUSEU, temos conseguido atrair público através da diversificação de atividades. Depois o sabermo-nos publicitar, chegar um bocadinho fora de portas, mas sempre conscientes que somos um museu do território e para quem está à nossa volta.
O nosso maior desafio, em termos de política da instituição, é neste momento fazermos todo o procedimento para integrarmos a Rede Portuguesa de Museus. É a credenciação oficial e pensamos que integrá-la nos possa ajudar a discutir as nossas necessidades e a termos acesso a outro tipo de financiamentos.
