O nadador olímpico Miguel Nascimento sublinhou hoje a importância dos Centros de Alto Rendimento (CAR) na carreira dos desportistas em resposta às limitações dos clubes para formar atletas de alta competição.
“Aqui tornei-me profissional do desporto”, afirmou hoje o nadador olímpico, que conta com 66 títulos nacionais e 122 pódios na carreira, sublinhando o impacto positivo do Centro de Alto Rendimento de Rio Maior, onde começou a treinar em Setembro de 2014.
Orador num painel sobre o impacto dos Centros de Alto Rendimento na preparação e sucesso desportivo nacional, no âmbito do Encontro Nacional do Alto Rendimento, que hoje decorre em Rio Maior, o nadador lembrou ter crescido no Algarve, onde “o clube onde treinava não tinha tantas condições”, reconhecendo que foi o CAR de Natação, nesta cidade, que lhe permitiu “dar o pulo”.
“Um CAR é um ‘cluster’ de atletas que estão vocacionados para o mesmo objectivo”, disse, reconhecendo que a carreira de desportista beneficiou do facto de, residindo no CAR, ter tido acesso a “uma piscina e uma escola a dois minutos a pé”, proporcionando o “repouso” crucial para os atletas de alto rendimento.
Uma opinião partilhada com o seleccionador nacional de futsal, Jorge Braz, que no mesmo painel manifestou a convicção de que os CAR nacionais, quando comparados com os de outros países, “tem coisas melhores e coisas piores”, o que considera uma vantagem para os atletas que “não podem exigir sempre serviços de alto nível”.
O Encontro Nacional de Alto Rendimento contou hoje também com a participação do director da academia de formação da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), André Seabra, que defendeu a necessidade de alterar os programas de formação dos atletas para uma oferta mais centradas nos problemas dos clubes e na procura de soluções interdisciplinares.
“Temos que ser capazes de resolver os problemas dos clubes”, afirmou André Seabra, defendendo que a oferta formativa no desporto “está ultrapassada” e deve ser pensada “em função da realidade dos clubes e dos atletas”.
Orador num painel sobre a capacitação e qualificação dos Centros de Alto Rendimento, o representante da FPF afirmou que a formação deve contemplar “ambientes de simulação” em que equipas interdisciplinares estudem as melhores soluções em termos formativos.
A interdisciplinaridade e o envolvimento da academia, da indústria, ou mesmo dos municípios no “apoio à inovação no desporto” foi, no mesmo painel, defendido por Tiago Barbosa, da European Aquatics e Pedro Sequeira, da Confederação de Treinadores de Portugal.
O encontro de hoje, marcou o arranque do Fórum Europeu da ASPC — Association of Sport Performance Centres (Associação de Centros de Alto Rendimento), que vai decorrer em Rio Maior, no distrito de Santarém, até ao próximo dia 25.
O Fórum realiza-se pela primeira em Portugal, reunindo em Rio Maior mais de 100 participantes, provenientes de mais de 16 países e de três continentes, em representação de cerca de 40 Centros de Alto Rendimento, organizações olímpicas e paralímpicas, federações, investigadores, treinadores, atletas e especialistas.
Em debate estarão temas como a investigação, inovação e desenvolvimento nos Centros de Alto Rendimento; Desporto Paralímpico e inclusão; Governação, gestão e certificação dos Centros de Alto Rendimento; Liderança e performance sustentável; Carreira dual e percursos dos atletas e o papel dos Comités Olímpicos Nacionais e dos Centros de Alto Rendimento na preparação para grandes eventos desportivos.

