Nazaré – Sábado, 2 de Agosto, às 22.15 horas – Corrida à Portuguesa.  Cavaleiros: João Moura Caetano, João Ribeiro Telles e Francisco Palha. Forcados: Amadores de São Manços, de Azambuja e de Portalegre. Ganadaria: Irmãos Moura Caetano (530, 525, 555, 540, 500, 520 kgs.). Directora de Corrida: Dra. Ana Pimenta. Médico Veterinário: Dr. Jorge Moreira da Silva. Tempo: Agradável. Entrada de Público: Casa Cheia.

O Sítio da Nazaré era um mar de gente, no mês maior das férias estivais, apelo constante para os inúmeros apreciadores desta estância balnear, que alia à sua beleza natural, o tipicismo que a distingue das demais, o fenómeno McNamara, que continua a facturar, e, claro, a boa gastronomia à base de peixe e de marisco. Tudo junto, acrescentando-lhe a circunstância de se realizar a segunda corrida de toiros da temporada nazarena, só poderia resultar numa imensa multidão e num ambiente muito festivo.

A bem cuidada praça encheu, sem esgotar, e o público que é presença habitual neste tauródromo exprimiu a sua paixão taurina com um frémito invulgar, alegre e extrovertido, o que teve, como sempre tem, um impacto muito positivo nos toureiros e nos forcados que ali actuaram nesta noite magnífica.  

Após as cortesias procedeu-se à homenagem a um ilustre nazareno que muito fez pela valorização da tauromaquia nesta praça, Joaquim Pires, prestigiado comerciante nazareno e homem generoso que presidiu aos destinos da Associação Planalto durante quinze anos deixando marca indelével na sua passagem, ainda hoje muito justamente lembrada. Maurício do Vale fez o elogio do homenageado e a Empresa Doses de Bravura, concessionária do tauródromo, entregou uma lembrança a Joaquim Pires, tendo sido secundado pelos Cabos dos três Grupos de Forcados que pegavam nesta corrida. Momento emotivo, apesar de singelo, corroborado pelos brindes dos Grupos e dos cavaleiros João Moura Caetano e João Ribeiro Telles ao homenageado. Apenas Francisco Palha destoou. Foi pena. As figuras de hoje deveriam ser mais justas e reconhecidas a quem tão desinteressadamente fez tudo o que lhe foi possível para que hoje possam desfrutar de condições dignas para exercer a sua profissão. Nós somos a memória que temos…

Os toiros de Irmãos Moura Caetano estavam muito satisfatoriamente apresentados, sem serem nenhuma estampa, e cumpriram quanto a condições de lide. Nenhum foi bravo, mas também nenhum foi manso, tendo permitido aos cavaleiros e aos forcados desenvolver agradavelmente a sua função, sendo certo que alguns cavaleiros tiveram de superar algumas dificuldades para estar por cima dos hastados e aproveitá-los muito bem.

João Moura Caetano, que reconhecidamente está a atravessar um bom período na sua carreira, mercê do seu afã e do muito ofício, pois é dos toureiros que mais actua em Portugal e em Espanha, e, por último, mas não menos importante, das excelentes montadas de que dispõe. Andou mais repousado e mais perfeito na lide do primeiro, desenhando vistosos cites e colocando emotiva ferragem, que o público aplaudiu com muita vibração, e frente ao segundo mudou de registo, optando por algumas abordagens menos ortodoxas, num arremedo de alta escola, para conquistar o aplauso fácil do público menos entendido. Esta lide perdeu, quanto a nós, intensidade técnica e artística mau grado a colocação da ferragem em sortes interessantes. O público, que é soberano, gostou.

Também João Ribeiro Telles teve duas lides distintas, porque diferentes eram também as condições de lide dos seus oponentes. Porém, em ambas pautou o seu labor pela seriedade técnica e artística, que é seu apanágio, citando como mandam as regras, de frente, encurtando distâncias até provocar a investida, e depois, quarteando-se mesmo na cara do toiro, colocou muito emotiva ferragem. Bem servido de montadas, para além do Ilusionista, que é a estrela da companhia, Ribeiro Telles logrou uma vez mais alcançar um êxito importante.

Francisco Palha, como tantas vezes dizemos, nunca está em praça que não seja para sacar o triunfo, que, às vezes, como se compreenderá, não consegue, porém, o seu espírito competitivo é tremendo. Nesta noite em que alternava com dois dos seus mais directos competidores, Francisco Palha tudo fez para alcançar o seu desiderato. Talvez não o tenha conseguido absolutamente, embora tenha de se dizer, em abono da verdade, que o melhor ferro da noite foi cravado por si, algumas das sortes mais emotivas foram desenhadas por si, mas, consentiu excessivos toques nas montadas, deixou alguns ferros descaídos e abusou um pouco do andamento das suas montadas. O triunfo para se conseguir deve ser redondo, ou seja, quase tudo deve sair perfeito, e aqui nesta agradável noite houve coisas excelentes e outras assim-assim.  

A noite dos Forcados quase se pode dizer que foi imaculada, pois os três Grupos em praça empenharam-se profundamente para rasar a perfeição, o que quase conseguiram. Os toiros investiram violentos e com pata aos cites dos forcados, tentaram desfeiteá-los quando os sentiram na cara, e empregaram muita força para os despejar, contudo, os forcados da cara e os ajudas estiveram excelentes, impedindo quase sempre que tal sucedesse. Apenas uma pega não foi consumada ao primeiro intento, mas todas as tentativas foram de um valor e de uma determinação notáveis.

Pelos Amadores de S. Manços foram solistas Duarte Teles e João Nuno Cuco, que concretizaram duas pegas muito valorosas e bem ajudadas; Pelos Amadores de Azambuja Rui Silva e Ruben Mendes estiveram irrepreensíveis, consumando as suas sortes ao primeiro intento, suportando vigorosos derrotes; Pelos Amadores de Portalegre Daniel Ameixa consumou uma excelente pega ao primeiro intento, e Diogo Parracho apenas concretizou a sua sorte à terceira tentativa, no entanto esteve sempre enorme, decidido e muito valoroso, acabando por estar em plano de igualdade com todos os solistas da noite. Muito bem!

Boa intervenção das quadrilhas, com intervenções comedidas e adequadas, para coadjuvar as lides dos cavaleiros a cujas ordens se apresentaram, e cooperando na colocação dos toiros para a consumação das pegas. Algum público esquece-se que os peões-de-brega estão em praça para cumprir uma função, e assobiam injustamente quando um toiro precisa de mais um ou outro lance de capote. Os campinos da Casa de Manuel Úrsula estiveram com a habitual eficácia e a Banda da Santa Casa de Misericórdia de Arruda dos Vinhos abrilhantou na perfeição o labor dos cabeças de cartaz. Direcção atenta, e fácil, convenhamos, da Delegada Técnica da IGAC Dra. Ana Pimenta.

Enfim, mais uma noite muito agradável na castiça Praça do Sítio, na Nazaré, onde se apresentará no próximo dia 16 de Agosto o Grupo de Forcados Amadores de Santarém, em sadia competição com o Grupo de Forcados Amadores de Montemor. Lá estaremos!

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