“O clube como que congelou. Existimos, mas não temos actividade”

O Sporting Clube de Tomar (SCT) é um clube histórico do distrito de Santarém que já formou centenas de atletas nas modalidades de Hóquei em Patins, Patinagem Artística e Judo. A equipa sénior de Hóquei em Patins é a face mais visível do clube, que seguia na primeira posição do campeonato da segunda divisão nacional Zona Sul.
Ivo Santos, presidente do SCT, assinala que a paragem teve um impacto muito negativo mas agora é hora de olhar para a frente e organizar já a próxima época.

Que balanço faz da temporada da equipa sénior do SCT?
Positivo, tendo estado de acordo com as expectativas iniciais. No momento em que o campeonato foi interrompido à 19ª jornada, ocupávamos o 1º lugar da zona sul – 2.ª divisão, posição que mantínhamos desde a primeira jornada. 19 jogos, duas derrotas, um empate e dezasseis vitórias. Também nos mantínhamos na Taça de Portugal, tendo naturais ambições de chegar a uma ‘final-four’.

O SCT estava a concretizar uma excelente época desportiva, liderando até a sua divisão. Que impacto teve esta paragem forçada na competição?
Um impacto muito negativo, pois ninguém está preparado para manter uma estrutura semi-profissional, com encargos e sem receitas. Reunimos um gabinete de crise e temo-nos reorganizado, com a colaboração dos nossos sócios, parceiros e sponsors.

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Como é que o clube está a viver este tempo de paragem?
O clube como que congelou. Existimos, mas não temos actividade. Procuramos encontrar condições para fechar a presente época, cumprindo com atletas, staff e fornecedores. E ao mesmo tempo planeando a próxima época, num total mar de incertezas.

O que espera que a Federação de Patinagem decida ao nível de subidas e descidas de divisão?
É uma questão muito subjectiva e que não reúne consensos, pelo que a nossa posição foi clara desde o primeiro momento. Confiamos na Federação e nas suas decisões, que aceitaremos sem reservas, mesmo que não vão ao encontro das nossas legítimas expectativas e anseios. O Sporting Clube de Tomar/IPT tem uma estrutura de 1ª divisão, mesmo que dispute um campeonato da 2ª. O nosso objectivo passa sempre por estar entre os melhores. O ano passado aconteceu um acidente. Mas não baixamos os braços e mantivemos uma equipa e estrutura que está ao nível da maioria das da 1ª divisão.

Ao nível da formação de atletas quais foram os impactos? Houve atrasos na evolução de jogadores?
O impacte foi terrível e a seu tempo poderemos chegar a conclusões mais objectivas. A formação dos atletas não é só em termos técnicos, mas sim a todos os níveis que têm a ver com o contacto, o convívio, o saber ganhar e perder. É uma questão que ficará para sempre nos miúdos e, diga-se, algo que nos preocupa muito. Não sabemos se tudo ficará bem ou se tudo voltará a ser como era.

O clube tem alguma preocupação a nível financeiro?
Claro que tem. Não é fácil um clube do distrito de Santarém militar numa 1ª divisão de qualquer modalidade. É quase um milagre isso acontecer e mais ainda, esses projectos serem consistentes. Não temos mecenas. Temos de nos inventar todos os dias e procurar soluções que outros ainda não pensaram. É o que fazemos.

Quando houver retoma de competições e treinos a que nível é que acha que os atletas se vão apresentar?
Isso é uma incógnita total. Vão ser quase seis meses de paragem. Vamos ter de dar tempo aos jogadores e procurar que encontrem o seu momento. Temos excelentes técnicos no clube, que estão já a delinear as etapas desse regresso.

Qual é a perspectiva de futuro depois desta pandemia?
Vamo-nos todos ter que readaptar a uma nova forma de viver. Vão mudar muitos aspectos da nossa existência, talvez sejamos mais sedentários e daremos um valor diferente ao nosso microcosmos. Viajaremos menos e isso aumentará o sentimento de pertença a uma comunidade.

Que mensagem quer deixar aos atletas e treinadores do SCT?
Uma mensagem de confiança – o mundo não acabou. Seria uma falta de respeito com os nossos antepassados que nos deixássemos vencer por uma pandemia que dure meses ou mesmo anos. Existiram no passado recente conflitos armados, catástrofes naturais, revoluções, e sempre nos reorganizamos e vencemos. Desta vez, ao fim de 15 dias, já estava tudo a dizer que o mundo acabara. Não, não acabou e temos de arregaçar as mangas e seguir em frente.

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