Já vamos em Maio e cerca de três meses após o início das tempestades que assolaram o nosso país, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações.

Depois do vento e das cheias, temem-se agora os incêndios, com quase tudo por fazer no que toca à gestão florestal. A lenha tombada continua na floresta e o calor está à porta, trazendo consigo a designada “época de incêndios” como se de um decreto se tratasse, ou uma inevitabilidade fosse.

Várias freguesias continuam com limitações no acesso a redes móveis, uma situação que não depende directamente dos municípios, a quem o governo central passou “a pasta”, nem que seja para os culpar, mais tarde, de pouco fazerem para resolver o problema.

O próximo Verão promete ser bem mais complicado devido ao combustível imenso que não foi retirado, muito dele a obstruir caminhos usados pelos bombeiros para chegar a pontos estratégicos na floresta.

O ministro da Economia e da Coesão Territorial já reconheceu as fragilidades de um país atolado em burocracia que não facilita nem agiliza esse trabalho. Chamou-lhe “um enorme problema”, confiando nos contratos que o ministério da Agricultura está a fazer com os Municípios para que sejam estes a liderar o processo, com a cobertura do PTRR [Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência].

Sendo importante ouvir autarquias, comunidades intermunicipais e instituições nacionais e regionais em redor do PTRR mais importante se torna disponibilizar os recursos financeiros necessários à sua execução por parte dos municípios.

Os contratos necessitam de concursos e é aí que se atrasam os procedimentos. Só que a natureza não espera e, cada vez mais, estes ciclos são mais apertados, há que estar preparado.

A pensar nisso, esta sexta-feira, a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo promove uma conferência online dedicada à antecipação e resposta do Serviço Nacional de Saúde a fenómenos climáticos extremos.

Se é impossível evitar as catástrofes, enquanto fenómenos que não controlamos, há que treinar procedimentos preparando as populações e as instituições para eventos cada vez mais frequentes e imprevisíveis.

Uma iniciativa que se saúda e que reforça a necessidade de nos prepararmos para situações de crise, unindo as áreas da saúde, protecção civil e ordens profissionais.

Numa altura em que os apoios para os incêndios de Agosto de 2025 na Região Centro estiveram em fase de candidatura até 29 de Abril, e em que há ainda prejuízos dos fogos de 2024 que estão por pagar, a pergunta terá sempre de ser feita: estará o país preparado para outra catástrofe, se ainda não conseguimos disfarçar as marcas deixadas pelas anteriores, ventos, incêndios e cheias dos últimos meses ou anos?

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