O pai de todos os festivais gastronómicos que se realizam em Portugal, este ano na sua 44.ª edição, decorre até domingo na Casa do Campino.

Durante 11 dias, Santarém transforma-se num ponto de encontro entre chefs de renome, produtores locais, restaurantes, visitantes e amantes da boa mesa. A Casa do Campino, símbolo maior do evento, acolhe novamente os sabores de todo o País, com especial destaque para o Salão Nacional de Vinhos & Gastronomia.

Melhor arrumado do que em anos anteriores (os olhos também comem) assume-se como um símbolo da identidade portuguesa, com uma “nova roupagem”, uma imagem renovada e uma programação alargada. Tem sido essa a aposta da autarquia que avança com uma estratégia para Santarém que cruza cultura, património e gastronomia e fala de um aumento de 30,6%, se compararmos 2019 com 2024, ao nível do número de dormidas.

E o Festival assume-se como investimento que, assegura quem o organiza, “traz retorno, ao longo do ano, à restauração, hotelaria e comércio local, com restaurantes de excelência, jovens empresários dinâmicos e uma geração que sabe receber”.

Daí que o Festival se reafirme, ano após ano, como um dos mais emblemáticos eventos, nascido no coração do Ribatejo há mais de quatro décadas, para celebrar a arte do saber fazer, onde se cruzam tradição, criatividade e a arte de transformar produtos locais em experiências únicas à mesa.

A gastronomia é, também, Cultura Tradicional, como explicou Ludgero Mendes nas páginas deste jornal a propósito da realização da edição ‘zero’ do Festival do Petisco Ribatejano, no âmbito do Festival Celestino Graça – A Festa das Artes e das Tradições Populares do Mundo e esse é um facto que o Festival de hoje não pode nem deve esquecer. Até porque se deixar de ser popular, deixará igualmente de ser frequentado e isso já se nota, não havendo comparação entre o elevado número de visitantes dos primeiros anos, ainda sob a alçada da extinta Região de Turismo do Ribatejo, com o número de comensais que hoje o visitam.

As alterações administrativas na área do turismo tiveram natural reflexo na organização do Festival Nacional de Gastronomia, e ajudaram a essa redução significativa do número de visitantes em cada ano.

Apesar disso, sobre o Festival Nacional de Santarém continuará a recair a responsabilidade da salvaguarda do receituário tradicional, que é cultura, memória, economia e orgulho nacional – e Santarém continuará a ser o seu grande palco.

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