árias organizações ambientais alertaram hoje para a incompatibilidade entre o investimento em ações de restauro ecológico no rio Alviela e a persistência de episódios recorrentes de poluição, com impactos ecológicos, sociais e económicos.

Num comunicado conjunto, o GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (organização não-governamental dedicada à conservação da natureza e ao ordenamento do território) denuncia a ausência de soluções estruturais para o problema, numa posição subscrita pela CLAPA, proTEJO, WWF Portugal, FAPAS, ZERO, SPEA | BirdLife, LPN e Quercus.

No seguimento do apelo dirigido ao Governo, o GEOTA deu conta de que esta manhã ocorreu um novo episódio de poluição no rio Alviela, identificada na zona de Pernes, apontando como causa a pouca capacidade de processamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, situada a montante.

Segundo a coordenadora do programa Rios Livres do GEOTA, Ana Catarina Miranda, “no espaço de uma semana, é a segunda vez que o rio Alviela e as suas comunidades ribeirinhas são ameaçadas, prevendo-se a continuidade destes episódios sem que as populações sejam avisadas e informadas sobre a causa da ocorrência”.

Ana Catarina Miranda disse ainda à Lusa que existem relatos da população local e da Comissão de Luta Anti-Poluição do Alviela (CLAPA) de “espuma abundante e odor fétido” no rio, sendo apontada como causa a “pouca capacidade de processamento da ETAR de Alcanena após períodos de grande precipitação”.

A trabalhar no restauro ecológico do curso de água desde 2022, a responsável sublinhou que “um problema de base tão grave como os episódios de poluição recorrentes no Alviela acaba por tornar desajustado o trabalho” feito pelo GEOTA, apesar de este ter sido “premiado a nível internacional”.

Segundo a coordenadora, o objetivo do projeto passa por promover “a reabilitação fluvial e o reencontro das comunidades com o rio”, algo que considera comprometido enquanto persistirem descargas poluentes.

Também a presidente da CLAPA, Penélope de Melo, citada no comunicado, diz ser “inaceitável” que, “após meio século de luta”, continuem a verificar-se descargas poluentes no rio sem uma resposta “eficaz, preventiva e estrutural” por parte da administração central.

As organizações ambientais apelam ao Governo para que assuma um compromisso claro na salvaguarda da qualidade ecológica do rio e da qualidade de vida das populações ribeirinhas, sublinhando a importância histórica, cultural e patrimonial deste curso de água.

Defendem, em particular, a implementação de soluções estruturais e com responsabilidades bem definidas, mecanismos de controlo eficazes e prazos de execução concretos, envolvendo as várias entidades da administração central com competências na matéria.

Entre as medidas consideradas essenciais, as organizações apontam a necessidade de mecanismos “efetivos e transparentes” de monitorização, fiscalização e responsabilização, incluindo a monitorização contínua da qualidade da água, com acesso público imediato à informação.

Defendem ainda a criação de sistemas de participação pública que permitam o envolvimento das comunidades locais e das organizações ambientais.

Leia também...

Trabalhadores da Bonduelle reabilitam linha de água da Ribeira das Cabanas

A empresa Bonduelle participou no projecto Reabilitar Troço a Troço (RTT) da Câmara Municipal de Santarém. A empresa sediada em Santarém reabilitou, com a…

Estudantes da Universidade Nova de Lisboa realizam acção de limpeza no Rio Sorraia

Os alunos da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa (AEFDUNL) realizam, no próximo sábado, dia 12 de Outubro,…

“O futuro do meio ambiente é um tema que deve estar na ordem do dia”

Carlos Henriques, de 36 anos de idade e natural de Santarém, é formado em Engenharia do Ambiente pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de…

Ambientalistas pedem “penalização exemplar” para responsáveis por crimes ambientais

Organizações não-governamentais do ambiente (ONGA) pediram hoje ao Governo uma “penalização exemplar” para as empresas e os indivíduos responsáveis por crimes ambientais e contra…