Mariana Marques, de 22 anos, frequenta o mestrado em Contabilidade e Finanças na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, onde também é presidente da Associação de Estudantes. A jovem foi a representante dos alunos na abertura do ano lectivo 2020/2021, onde arrancou elogios dos presidentes de Câmara de Santarém e Rio Maior, que se reviram nas suas palavras no que toca ao alojamento disponível para quem estuda nas duas cidades. Mariana Marques considera positivo o número crescente de alunos que preferem Santarém e Rio Maior para estudar, mas alerta para a escassez de alojamento existente.

A Mariana representou os alunos do IPSantarém na abertura deste ano lectivo. Qual é a importância desta representação e porque é que o aceitou?
Sou presidente da associação de estudantes da Escola Superior de Gestão e fui apenas representante de todas as associações na abertura do ano lectivo porque só podia ir um de nós discursar. Fui eu, mas poderia ser qualquer um dos outros presidentes, aliás fizemos um sorteio para decidir quem ia. Quando soube que ia ser eu, fiquei logo nervosa porque é uma responsabilidade muito grande, mas fui logo apoiada pelas outras associações e fizemos um discurso conjunto.

Quais foram as principais medidas defendidas pelos alunos durante o ano da pandemia?
Tal como disse no dia da abertura do ano lectivo, tivemos reuniões constantes durante este período e fomos sempre acompanhando o que os alunos estavam a passar através das redes sociais. Mas sempre defendemos que o método de ensino não se podia alterar, ou seja, que mesmo em ensino à distância não o podíamos descorar.

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A residência de estudantes em Rio Maior tem sido um dos pontos mais pedidos nos últimos anos pelos alunos de Desporto. É fundamental a obra ser realizada para evitar que a Escola perca preponderância?
Na minha opinião a escola de Rio Maior não perde o seu valor por causa da construção da residência, mas a verdade é que a sua construção é, sem dúvida, uma valorização da escola. Os alunos precisam de sítios acessíveis para viverem. Tanto Rio Maior, como Santarém têm tido um aumento substancial no valor das rendas. É insustentável para uma família pagar 200 e tal euros por mês de renda para um aluno estudar, fora todas as outras despesas inerentes.

O IPS teve em 2020 um número recorde de novos alunos. Como representante considera que este facto torna a instituição mais reconhecida?
Claro, quer dizer que também há mais alunos a querer estudar em Santarém e Rio Maior.

Como é que foi a integração dos novos alunos neste ano atípico?
Acho que de uma forma geral, foi muito complicado, quando estávamos prestes a arrancar com algumas actividades, com todas as medidas necessárias, fomos surpreendidos com novas medidas, o recolher obrigatório, etc… Por outro lado, vivemos no Zoom, fizemos reuniões nem que seja para contar histórias para quando isto tudo passar eles continuarem a ter vontade de ir às actividades de integração.

A vida académica ficou prejudicada com as medidas impostas pela pandemia?
Infelizmente sim, não houve os míticos arraiais, as saídas à quinta-feira, o desfile académico, a bênção, o baptismo, tudo o que define a vida académica…

Os alunos sentiram-se apoiados e seguros no IPSantarém?
Sim, os números falam por si, o facto de não termos muitos casos e os que existem não serem oriundos da instituição, acho que revela o bom trabalho feito por todos.

O desfile académico é o ponto alto da Academia de Santarém. Que impacto teve a não realização do desfile académico, tanto para caloiros como restante comunidade?
Na realidade eu acho que foi pior para quem já era aluno. Porque já vivemos aquele dia e sabemos o quão importante é na nossa vida. Por outro lado, os caloiros como não viveram o mês de preparação do desfile e toda a intensidade que esse mês exige, acho que não sentem o que quem já teve o seu dia sente. Mas obviamente que os novos alunos querem viver, querem sentir o mesmo que nós, nem que seja pelas histórias partilhadas nas reuniões do ZOOM que temos feito são contadas.

Pensam ser possível a realização da Queima das Fitas este ano lectivo?
Não sabemos se vai ser possível, porque este ano ensinou-nos que nada é garantido, mas queremos muito que haja. Queremos muito voltar a ter a nossa vida académica de volta.

Na sua opinião, o que falta ao IPSantarém para se tornar uma melhor instituição?
Eu acredito que ainda há um pequeno preconceito em estudar no interior do país ou no ensino politécnico, mas a verdade é que há professores que tanto dão aulas em Santarém como em Lisboa. Acho que esse é o principal entrave.

Que mensagem deixa aos alunos do IPSantarém nestes tempos de pandemia?
Dizer-lhes que não nos esquecemos que há muita coisa para fazer, mas que nesta fase é complicado. Mas que estamos confiantes que mais cedo ou mais tarde vamos poder voltar a fazer algumas coisas.
O essencial é deixar uma mensagem de esperança. Há que acreditar que todos os obstáculos dos percursos académicos serão ultrapassados se todos formos resilientes. Nenhum aluno está sozinho porque há sempre alguém disposto a ajudar em cada escola, como é o caso das AE’s.

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