Termina esta sexta-feira mais uma edição das Festas de San Fermín, em Pamplona, uma das maiores atracções sócio-culturais e turísticas do país vizinho à qual afluem mais de um milhão e quinhentas mil pessoas, vindas de todo o mundo e que por ali vivenciam um ambiente extraordinário desde o passado dia 6 de Julho.

Não é possível definir o espírito festivo de San Fermín em Pamplona, posto que, em bom rigor, é necessário viver intensamente estas festas para compreender a motivação dos “pamplonicos”, que vibram intensamente durante cada noite com algumas das 425 actividades programadas para esta semana, cantando e bailando até de madrugada e sempre “carregando” com muita bebida, o que reforça o alento para vencer o esforço e aumenta a adrenalina para o “encierro” matinal.

A tradição de correr à frente dos toiros, e de muitas vezes serem pisados por eles quando a energia já não dá para os acompanhar na sua correria frenética em direcção à praça, é para muitos jovens um autêntico rito de passagem, como que depurando o espírito e a alma de aficionado e sobretudo a paixão de ser “pamplonico”. Desde o tradicional e tão ardentemente esperado “Chupinazo” até ao último minuto do derradeiro “encierro” a Festa vive-se na sua plenitude.

As varandas das ruas por onde passa o “encierro” estão festivamente engalanadas e apinham-se na rua milhares e milhares de aficionados, nacionais e estrangeiros, que anseiam por conseguir tocar o pelo dos toiros, o que constitui um risco acrescido, mas também uma glória que se contará pela vida fora.

Apesar da sua vertente tradicional, a Festa de San Fermín vai acompanhando os ventos da modernidade e, por isso mesmo, o Ayuntamiento de Pamplona interditou a venda de t-shirts e distintivos com mensagens machistas ou xenófobas, o que inscreve o San Fermín no âmbito das festas livres de atitudes discriminatórias. 

Despiciendo se torna referir a importância destas Festas no plano económico e financeiro, pois o Estado espanhol e o Ayuntamiento de Pamplona arrecadam durante estes dias uma receita fiscal fabulosa, porém nunca poderemos deixar de ter em conta e enaltecer o espírito tradicional e sócio-cultural subjacente às festas, que têm a capacidade de atrair mais de um milhão e meio de turistas, vindos de todas as latitudes.

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