Fernando Botero foi um conceituado pintor e escultor colombiano reconhecido também pela profusa e qualificada obra inspirada em motivos taurinos, retratados com um sentimento e uma sensibilidade muito peculiares e que romperam de algum modo com o purismo da pintura clássica.

Desta feita, um capote de toureio serviu de tela para uma excelente pintura que foi recentemente oferecida à Fundação Social e Cultural Caja Rural del Sur, por José Manuel Cárdenas, destinatário da dedicatória original do artista, onde se lê: “A Mame Botero 2001”. Esta inscrição, aliada à singularidade do suporte e da autoria, vincula a obra directamente à biografia pessoal e artística de Botero.

Sevilha torna-se palco da descoberta de uma obra inédita de Fernando Botero (1932-2023). Trata-se de uma pintura que estava afastada da esfera pública há mais de vinte anos e que agora vê a luz do dia, para maior glorificação da arte do pintor colombiano.

A peça destaca-se pela confluência de três elementos de especial relevância: a assinatura de um dos grandes nomes da arte contemporânea, o seu carácter absolutamente inédito e o silêncio prolongado que rodeou a sua existência desde a sua criação. A isto soma-se um contexto institucional e geográfico que reforça o seu interesse, por estar localizado em Sevilha, cidade intimamente ligada à tradição tauromáquica.

Do ponto de vista artístico, o capote confeccionado pelo prestigiado alfaiate sevilhano Pedro Algaba, cujo selo está preservado no tecido interno amarelo, transforma-se numa autêntica tela sob o olhar de Botero. Sobre o característico fundo amarelo, o artista exibe uma cena tauromáquica de grande força plástica: Um toiro monumental, de proporções exageradas e contornos suavemente arredondados, domina o espaço da praça. Os seus pitons curvos e sua expressão desafiadora transmitem poder e solenidade, enquanto o público ao redor traz equilíbrio e calma à composição.

A origem deste capote pintado reside numa estreita relação pessoal entre José Manuel Cárdenas e Lina Botero, filha do artista, derivada do seu casamento com o espanhol Rodrigo Sánchez Arjona, amigo de infância do proprietário da obra. Neste contexto de proximidade, Lina Botero transferiu a sua residência para Paris, cidade onde Fernando Botero viveu desde 1992.

Desde a sua criação, em 2001, a obra permaneceu sempre nas mãos do seu legítimo proprietário, cuidadosamente guardada na sua residência privada, até à sua recente oferta à Fundação Social e Cultural Caja Rural del Sur.

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