A ponte da Chamusca já reabriu ao trânsito, com a circulação a fazer-se de forma alternada e com alguns condicionamentos, disse hoje o presidente do município, salientado que o mau tempo provocou “um caos” na mobilidade no concelho.
“Foram detetadas falhas de segurança antes da ponte, no lado da Golegã. As Infraestruturas de Portugal vieram fazer uma avaliação e passaram o semáforo para trás, para impedir que os veículos circulem na zona afetada”, explicou o presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira.
Segundo o autarca, o encerramento esta semana da ponte da Chamusca, deveu-se ao estado da estrada de acesso do lado da Golegã e não está relacionado com problemas estruturais na ponte.
Desde hoje, a circulação foi restabelecida e faz‑se agora de forma alternada com alguns condicionamentos, nomeadamente o encerramento de alguns metros de uma das faixas. O trânsito está a ser regulado por sinalização luminosa colocada antes do troço condicionado.
A Ponte da Chamusca é o principal eixo de ligação entre Chamusca e Golegã, utilizada diariamente por moradores, trabalhadores e transporte de mercadorias com destino a Torres Novas, Entroncamento ou à autoestrada 1 (A1).
Segundo o autarca, cada vez que a ponte tem de encerrar “causa um caos na vida de centenas de pessoas”, já que os veículos ligeiros só conseguem atravessar o rio Tejo em Constância e os pesados têm, muitas vezes, de seguir até à Ponte Salgueiro Maia, em Santarém.
“Isto provoca imensos prejuízos e transtorno, sobretudo para o setor industrial e para todos os que precisam de circular nesta zona”, sublinhou Nuno Mira.
Além do problema na ponte, Nuno Mira relatou que as recentes tempestades provocaram muitos danos nas infraestruturas rodoviárias do concelho.
“Temos milhões, literalmente milhões, de prejuízo em estradas municipais. Há uma ponte caída, várias vias com passagem interdita e completamente destruídas”, afirmou o autarca.
Ainda de acordo com o presidente da Câmara da Chamusca, as ribeiras atingiram “patamares anormais”, deixando estradas intransitáveis.
Apesar de os prejuízos ainda estarem a ser contabilizados, Nuno Mira considerou essencial o apoio do Governo para recuperar a rede viária, recordando que o município, juntamente com outros da Lezíria do Tejo, enviou um memorando ao primeiro-ministro a contestar a ausência da região na lista de concelhos em estado de calamidade.
“Não compreendemos porque não fomos incluídos. Sozinhos não conseguimos ter verbas para refazer tudo o que foi destruído com as sucessivas tempestades”, afirmou.
Dos 11 concelhos que integram a CIM da Lezíria do Tejo, apenas Santarém, Golegã e Rio Maior estão abrangidos pela resolução do Conselho de Ministros que declarou a situação de calamidade, ficando de fora Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche e Salvaterra de Magos.
Os 11 municípios que integram a CIML assinaram um memorando na quarta-feira, onde defenderam a criação de medidas e apoios extraordinários do Estado para os municípios da região afetados pelas tempestades, alertando que a dimensão dos prejuízos “ultrapassa largamente” a capacidade das autarquias.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
