Foto: Município de Alpiarça

A presidente da Câmara de Alpiarça, Sónia Sanfona, estimou hoje em mais de três milhões de euros os prejuízos causados pelo mau tempo no concelho, com estradas municipais e caminhos rurais “completamente destruídos”.

Em declarações à Lusa, a autarca explicou que os danos ao nível municipal incidem sobretudo em linhas de água danificadas, deslizamento de terras, estradas municipais e caminhos rurais “completamente destruídos”.

Entre os estragos patrimoniais, Sónia Sanfona destacou os danos na Casa dos Patudos, onde a tempestade Kristin provocou “a queda de uma chaminé” e originou infiltrações e outros problemas associados à chuva intensa.

Além dos prejuízos municipais, houve também impactos significativos no setor privado, em particular na agricultura e na agroindústria.

Segundo a presidente da Câmara de Alpiarça, desapareceram produções inteiras que estavam ainda na terra, tanto de agricultores, como de empresas locais.

Os prejuízos no setor privado poderão atingir “uma dezena de milhões de euros ou até mais”, adiantou.

Ainda de acordo com Sónia Sanfona, o levantamento realizado é exaustivo e continuará a ser atualizado à medida que chegam novos dados dos serviços municipais e dos produtores afetados.

A autarca, que falava à margem de um seminário dedicado à proteção civil realizado hoje na Casa dos Patudos, reconheceu que fenómenos como as cheias não são novos no Ribatejo, mas sublinhou que as condições atuais são diferentes de há algumas décadas.

Pois, disse, existiu uma mudança da ocupação do solo, maior mecanização agrícola e há agora equipamentos e infraestruturas que aumentam a vulnerabilidade do território.

“Precisamos de criar condições de adaptação a esta nova realidade”, defendeu.

Quanto à articulação do município com o comando sub-regional e os vários agentes de proteção civil, Sónia Sanfona classificou-a como “excelente”, tanto em contexto de crise, como fora dele.

A autarca revelou ainda que Alpiarça está a trabalhar com o Governo e com a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para identificar e intervir em infraestruturas críticas, de forma a garantir “respostas eficazes em futuros episódios de mau tempo”.

Entre as obras consideradas prioritárias estão os três diques do Tejo existentes no concelho, cuja manutenção e reabilitação não avançam há mais de 20 anos.

“Andamos há muito tempo em conversações com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] no sentido de que os diques fossem verificados e reconstruídos nas áreas onde estão danificados, porque estão muito danificados”, declarou.

Segundo Sónia Sanfona, tanto Almeirim, como a Chamusca, já realizaram intervenções semelhantes, deixando Alpiarça “entre dois municípios com diques intervencionados”.

Contudo, acrescentou, após o impacto das recentes tempestades, o processo acelerou e está a ser trabalhado com a APA, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e a Comunidade Intermunicipal, no sentido de garantir as obras necessárias.

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