A Federação Distrital de Santarém do PS propôs a criação de um grupo de acompanhamento dos investimentos anunciados para Tancos e para a região, defendendo reforços na habitação, acessibilidades e serviços públicos.
“Importa agora garantir que os dois maiores investimentos, públicos e privados, que a região vai receber tenham a devida correspondência no desenvolvimento de políticas públicas”, afirma o presidente da Federação Distrital de Santarém do PS, Hugo Costa, num comunicado enviado à agência Lusa.
A posição foi aprovada pelo secretariado da federação socialista, reunido no domingo, e surge após o anúncio do investimento de 500 milhões de euros (ME) da Lufthansa numa escola de pilotos em Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, no âmbito da privatização parcial da TAP.
Hugo Costa defende medidas para responder à pressão demográfica e às necessidades de habitação, educação, proteção social e saúde, bem como recursos financeiros e instrumentos de gestão territorial adequados.
Nas acessibilidades, reclama a conclusão da A13, IC9 e IC10, incluindo as travessias do Tejo e do vale do Sorraia, a requalificação das linhas ferroviárias do Norte e da Beira Baixa e das estradas de acesso ao futuro aeroporto e a Tancos.
A federação pretende propor aos partidos políticos, Governo, Assembleia da República, comunidades intermunicipais do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo, autarquias, associações empresariais e instituições de ensino superior a criação de um grupo de acompanhamento.
Segundo o comunicado, o objetivo é promover compromissos e reunir capacidade de intervenção política para assegurar a concretização dos investimentos e responder às expectativas das populações.
O PS saúda o investimento da Lufthansa, mas sublinha que a adaptação do aeródromo militar de Tancos à utilização civil não poderá comprometer a atividade operacional do Exército, defendendo também investimentos na defesa e segurança em Tancos e no Campo Militar de Santa Margarida.
A federação considera ainda que a escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP confirma a importância das decisões dos anteriores governos socialistas de manter e reestruturar a companhia aérea, criticadas na altura por forças políticas que hoje integram o Governo.
Em declarações complementares enviadas à Lusa, Hugo Costa sustenta que o investimento representa uma oportunidade para o Médio Tejo, mas exige compromissos quanto aos prazos, emprego qualificado e participação das empresas portuguesas, garantindo que o PS acompanhará a concretização do projeto.
“Anunciar um investimento não é o mesmo que concretizá-lo”, afirma o dirigente socialista, defendendo o envolvimento dos municípios, instituições de ensino e agentes económicos numa estratégia de desenvolvimento regional.
O anúncio mereceu também o apoio da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, do PSD de Santarém e da CIM da Lezíria do Tejo.
O presidente da CIM do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, defendeu que a utilização civil do aeródromo deve permitir atrair outras atividades aeronáuticas, além da escola de pilotos.
Também o Chega, através da vereadora Tatiana Horta, em Vila Nova da Barquinha, e dos deputados eleitos por Santarém, defendeu que a escola poderá constituir o ponto de partida para um polo aeronáutico regional, associado à formação, manutenção de aeronaves e inovação tecnológica.
Em sentido contrário, a CIM do Baixo Alentejo contestou a escolha de Tancos, defendendo o Aeroporto de Beja, posição também manifestada pelo deputado do Chega eleito por aquele distrito, António Carneiro.
O projeto anunciado pelo Governo prevê cerca de 200 postos de trabalho e a adaptação do aeródromo para utilização civil e militar, com uma contribuição pública de 50 ME para a requalificação da pista, sem comprometer a atividade do Exército.
