A força da mediatização registada mundialmente, nomeadamente através das redes sociais e dos canais televisivos, atinge actualmente um nível nunca antes observado, nem previsto, o que nos permite ter a percepção do carácter da maioria dos protagonistas políticos que nos invadem a casa a toda a hora, pois, mesmo que queiramos filtrar o seu acesso nem sempre o conseguimos evitar.

Os serviços noticiosos repetem compulsivamente informação sobre alguns dos mais mediáticos conflitos de guerra, embora deixem de fora muitos outros, como se não existissem, mas que não têm tanta visibilidade à escala global e, por isso, são ignorados, embora tenham efeitos tão, ou mais, devastadores do que aqueles que amiúde nos indispõem ao jantar.

Há figuras da vida política que todos os dias e, quase me atreveria a dizer que também a todas as horas, pululam nos ecrãs, impondo a sua demagogia e pregando as suas mentiras, arte em que, aliás, alguns são autênticos especialistas.

Na nossa sociedade o espectáculo domina tudo e todos, como postulava Erving Goffman, e até as práticas políticas, especialmente nas circunstâncias mais graves e penalizadoras, que se aconselharia que decorressem num registo de tranquilidade e bom-senso, são convertidas em actos da maior desorganização que é possível imaginar. A vida está transformada num palco onde se confunde o espírito da realidade com as dissimulações teatrais.

Temos saudade de algumas personalidades que protagonizaram processos da maior relevância para a governação do mundo, mas que o fizeram no recato dos seus gabinetes, com reuniões entre os principais agentes envolvidos, de que apenas no final se conhecia o teor do que tinha sido discutido e, eventualmente, acordado através de um comunicado distribuído aos órgãos de comunicação social.

Hoje, bem ao contrário, usa-se a rua para publicitar a política de circunstância, recorrendo a fontes pouco credíveis e muito supérfluas, pois o que é importante é surgir em grandes parangonas nos jornais e nas televisões. Em vez das reuniões multilaterais, em que todas as partes interessadas na resolução de um conflito deveriam participar em idêntico plano de responsabilidade e de compromisso, sem a pressão permanente e pouco fiel dos média, “negoceia-se” através de alguns bitaites ditos nas redes sociais e logo amplificados na comunicação social.

Alguém, em nome de uma das partes visadas no conflito, adianta umas ideias, como se fossem resultado de um acordo correctamente estabelecido, e logo vem alguém em nome da outra parte, desmentir, dizendo que não houve acordo nenhum e, muitas vezes, que nem sequer houve contactos. Alimentar os “egos” é um cabo dos trabalhos!

É o tempo do faz de conta…

Mas, no meio desta poluição (des)informativa, sempre se evidenciam uns quantos actores que alimentam as polémicas e reclamam uma excessiva importância pelos discursos de ódio e de intolerância que proferem. Sentem-se os donos do mundo e não escondem que têm o rei na barriga!

Os Estados Unidos da América, que durante décadas tentaram equilibrar o entendimento e a paz no mundo, embora nunca deixassem de fomentar a guerra e a instabilidade – algo que sempre lhe conveio para a defesa dos seus interesses políticos e económicos – converteram-se num rastilho de conflitualidade em todas as latitudes, inventando problemas onde antes não existiam, ou, pelo menos, estavam razoavelmente apaziguados, e amplificando outros, às vezes a níveis dramáticos.

Donald Trump, o autoproclamado candidato ao Nobel da Paz, assume um papel vergonhoso na condução dos negócios estrangeiros a nível mundial, ameaçando tudo e todos, qual rufia gigante, que não se incomoda nada de subverter as regras do direito internacional e o respeito que é devido a todas as pessoas e a todos os povos do mundo.

Se os americanos elegeram Donald Trump para seu presidente que o aturem e que convivam com o mau estar que a sua louca gestão lhes proporciona, agora nós, que não pusemos prego nem estopa nesta eleição, mas, não obstante, estamos a sofrer drasticamente os efeitos da sua política perversa e odienta, é que não deveríamos ser vítimas da sua ganância e da sua loucura.

Não se pode levar a sério uma personalidade como é o presidente dos Estados Unidos da América que consegue defender no mesmo discurso uma coisa e o seu contrário, autêntico catavento que não respeita nada nem ninguém, como se tudo fosse seu. E, de facto, para quem não tem vergonha todo o mundo é seu!

Mas Trump nem sequer respeita os seus representantes, pois ainda há dias estava a decorrer na Suíça uma reunião da maior relevância entre os delegados do Irão e os dos Estados Unidos da América, chefiados pelo seu delfim, JD Vance, e Trump não parava de publicar nas redes sociais ameaças e ofensas ao Irão, o que, como é natural, não foi bem aceite pelos iranianos, que ameaçaram suspender logo ali os trabalhos na tentativa de alcançarem um memorando de “paz”.

Outro tanto se dirá do primeiro-ministro de Israel, que apesar de sobreviver politicamente devido ao apoio estratégico e militar de Donald Trump, que, ao arrepio de uma das exigências do bloco iraniano, prossegue as arremetidas no Líbano com vista à extinção do Hezbollah. É caso para dizer que com amigos destes nem são necessários inimigos. Mas, neste caso, cumprirá dizer que estão um para o outro. Dois artistas que não têm um pingo de decência, assassinando milhares de pessoas indefesas, e que parece estarem imunes à justiça!

Num período tão conturbado da humanidade, com ameaças de toda a ordem, o que é meio caminho andado para amplificar as hostilidades latentes ou activas entre os diversos blocos políticos e económicos, e quando os valores subjacentes ao poderio financeiro tendem a prevalecer sobre as questões de natureza política ou social, estas atitudes e intervenções desmioladas só podem servir de pasto fácil e eficaz para agudizar os conflitos e consolidar a desordem e a guerra.

Que mundo querem legar ao futuro estes autocratas, gananciosos e intolerantes que não sabem viver em paz e em harmonia?

As quantias colossais utilizadas nas guerras e na luta de galos, acrescidas das que hão-de ser reclamadas um dia destes para o esforço de reconstrução do que agora andam criminosamente a destruir, dariam seguramente para que a população mundial pudesse ter uma vida digna e minimamente confortável. Não seria preferível matar a fome quem não tem o que comer, do que matar quem não tem nenhuma culpa no cartório?

Alguém acredita num processo de paz duradoiro quando as crianças dos países agora atacados pelos donos do mundo crescem num ambiente de ódio, de fanatismo e de sede de vingança em consequência das miseráveis condições em que sobrevivem?

Por mais razões que invoquemos, a guerra nunca será solução para coisa nenhuma, como eloquentemente defenderam o Papa Francisco e o Papa Leão XIV!

 

 

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