Integrada no programa do Festival “Raízes Vivas”, que decorreu na cidade de Santarém nos dias 25 e 26 de Setembro, com as principais actividades a terem lugar no Jardim das Portas do Sol, realizou-se numa praça desmontável instalada na Ribeira de Santarém uma corrida de toiros, com carácter de beneficência a favor da Irmandade do Santíssimo Milagre.
Sob direcção de Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário Dr. Miguel Matias, actuaram os cavaleiros Luís Rouxinol Jr., o recém alternativado Luís Pimenta e o praticante Vasco Veiga, os quais enfrentaram toiros de João Ramalho, estando as pegas confiadas aos Grupos de Forcados Amadores de Santarém e do Aposento da Moita do Ribatejo, que na circunstância fardaram alguns dos seus mais jovens elementos.
Fora de época, para o caso de Santarém, cujo calendário encerra em meados de Junho, a corrida despertou escasso interesse, quer ao nível de espectadores como até de críticos, quase não havendo vestígios da sua realização nas redes sociais e nos sites taurinos, mais dados à divulgação de iniciativas mais mediáticas.
O facto de a corrida ter tido como cenário uma praça desmontável instalada na cidade onde existe a maior e uma das mais prestigiadas praças de toiros do país, opção justificada pela organização do evento devido aos elevados custos associados à “folha de praça” da Monumental Celestino Graça, também não terá sido alheio à indiferença do público que afluiu em número pouco expressivo.
A corrida, segundo informações que conseguimos obter, terá tido alguns momentos de interesse artístico, protagonizado pelos jovens marialvas em praça, e alguma emoção resultando da intervenção dos rapazes das jaquetas de ramagens, que em alguns casos tiveram de ir à cara dos toiros diversas vezes, dada alguma inexperiência. Apesar de tudo, os jovens necessitam de oportunidades para se apresentar e para se tornarem, eventualmente, figuras, embora o público pague o bilhete não para ver as “promessas”, mas, sim, para apreciar o melhor de cada formação.
Talvez se se tivesse optado por promover uma corrida de toiros na Monumental “Celestino Graça”, com um cartel forte e com uma boa promoção, o resultado tivesse sido mais favorável a todos os intervenientes e, sobretudo, aos beneficiários do próprio espectáculo. Uma semana antes, em Almeirim, a praça quase encheu e a receita a favor da Misericórdia local andou na ordem dos sessenta e três mil euros… Mas, enfim, quem sabe do convento é quem lá vive dentro…
