Muito oportunamente o sítio “TouroeOuro” publicou uma extensa entrevista com o empresário e apoderado Dr. Luís Miguel Pombeiro, durante a qual abordou alguns dos temas mais candentes da actualidade tauromáquica no nosso país, abrindo, inclusivamente, a sua reflexão a aspectos deveras pertinentes que impactam inapelavelmente com o futuro da actividade taurina em Portugal.

A tradição sócio-cultural associada à realização de espectáculos taurinos é muito funda e está bem enraizada na cultura de diversas regiões do território nacional, porém, o mais relevante para a sobrevivência das manifestações taurinas prende-se com a capacidade e competência daqueles que no presente são os protagonistas do sector, com destaque especial para os ganadeiros e para os empresários, aqueles que verdadeiramente arriscam o seu capital para salvaguardar o futuro da Festa em Portugal.

Com um cumprimento especial ao sítio “TouroeOuro”, nas pessoas dos seus dinâmicos responsáveis Solange Pinto e João Dinis, respigamos, então, algumas das mais pertinentes declarações de Luís Miguel Pombeiro, gestor taurino da Praça de Toiros do Campo Pequeno:

“Não tenho nada a apontar às pessoas do Campo Pequeno. Toda a gente me recebeu bem, não há a intenção de acabar com as corridas no Campo Pequeno, porque sabem que compraram uma praça de touros.

Logicamente que há objectivos principais de uma empresa que não é da tauromaquia e que tem sido prejudicada pela tauromaquia.

Para mim é uma honra estar ali.” Assim começou Luís Pombeiro por definir o seu relacionamento com a empresa de Álvaro Covões, concessionária do Campo Pequeno.

Definindo-se como uma pessoa humilde, Pombeiro assume que “Nunca fui pessoa de me exibir e vocês sabem porque já me conhecem há anos, vou seguindo o meu caminho e o que peço sempre é ‘deixem-me trabalhar’. Vejo as redes sociais a dizerem mal, mas já estou imune a tudo isso. Sei quem são os principais críticos e opositores, a maioria deles nunca arriscou um tostão pela tauromaquia e, portanto, deveriam ter mais respeito pelas empresas. No fim de contas quem arrisca aqui são as empresas.

Os toureiros arriscam na arena, os forcados também, os ganadeiros levam quatro anos a dar comida aos toiros e tudo isso é verdade, mas se não houver o empresário…”.

Luís Miguel Pombeiro viu a pandemia da COVID-19 dificultar um projecto que já não tinha nada de fácil, o que o leva a considerar que o “tempo de pandemia foi, de facto, muito complicado. Mas, agora, se repararem, o respeito de outras empresas face ao Campo Pequeno é quase nulo.

Anunciam-se as datas do Campo Pequeno e temos trinta datas à volta. Depois tem os toureiros e grande parte deles, o respeito que têm pelo Campo Pequeno é zero, porque antes de virem ao Campo Pequeno toureiam aqui à volta 10 a 15 corridas e depois querem ganhar dinheiro como se fossem uma novidade. Nisto tudo há honrosas exceções de toureiros que sabem a importância do Campo Pequeno. Deveriam tourear nalgumas datas da província e aí ganhar o

dinheiro para depois virem confirmar as expectativas no Campo Pequeno e trazer o público atrás de si com o ambiente deixado nessas corridas, sabendo que o Campo Pequeno tem limitações financeiras grandes.”

Uma crítica recorrente à gestão de Pombeiro é a apresentação de cartéis de seis cavaleiros, pelo que interessa conhecer a opinião do empresário: “A verdade é que na província as pessoas preferem corridas de seis cavaleiros. Na Figueira e na Barquinha, onde tinha estado em 1989, já era assim.

Em relação ao Campo Pequeno tal acontece pela redução de corridas. Não queria deixar todos de fora e que mereciam ir ao Campo Pequeno. A primeira corrida foi a das Dinastias, tinha de ser com seis. A segunda era tradicionalmente de seis por ser a do Emigrante, e a quarta, de seis porque era para a ser a de Gala, mas não foi porque a GNR não estava disponível. As corridas de seis têm o inconveniente de sair um toiro mau e não haver uma segunda oportunidade, mas também sei, que a lidar só um dá-se o tudo por tudo por não ter outro lá dentro.

Há muitas corridas com três cavaleiros em que despacham um toiro e dão tudo no outro… é raro ver o toureiro que “dá o litro nos dois touros”, portanto nalguns sítios serão sim corridas de seis cavaleiros.”

Questionado sobre a possibilidade de trazer Diego Ventura ao Campo Pequeno, Luís Miguel Pombeiro, não hesitou em afirmar: “Gostava muito, como gostava de trazer o Pablo. São nomes que ficam e marcam, mas a verdade é que ainda não tenho ninguém contratado para o Campo Pequeno.” Quanto às opções para as restantes praças onde é empresário, a única certeza é que “haverá redução do número de corridas e fazer apenas as datas tradicionais e não inventar.

Criar, sim, polos de interesse num ano em que apenas se fala de inflacção, sendo que até o Presidente da República diz que será um ano muito difícil. (…) Este é o único espectáculo que não é repetitivo, se for ao Teatro mais que um dia ver a mesma peça, sabe que é igual e aqui é o único espectáculo onde é sempre diferente, porque há o elemento toiro. É esta a ideia que tem de ser vendida. Lá fora tem de ser vendida a ideia de que pegamos toiros, mas não somos bárbaros. Defendemos o que é nosso e isto é muito antigo, a defesa do território.

Os anti-taurinos vieram muito depois. Somos um povo com tradições”.

Reflectindo um pouco sobre a actualidade tauromáquica, com os olhos postos no futuro, Luís Miguel Pombeiro reconhece que “Temos vindo a perder força de há uns anos a esta parte e não foi só durante a pandemia. Penso que se perdeu muita força ao não se fazerem uma série de corridas que poderiam ter sido feitas, mas principalmente porque não estamos unidos e se não houver união na tauromaquia, nós não conseguimos andar para a frente. É politicamente correcto ser contra os toiros, mesmo que não o seja, (…) há tradições enraizadas nos portugueses, que sendo de Lisboa, ou estando em Lisboa, são de zonas rurais, mas que se estabeleceram aqui à procura de novas oportunidades e de uma vida melhor e que são tudo pessoas enraizadas na tauromaquia.”

“Na verdade, não precisamos de andar a justificar uma coisa que é legal, fazer as coisas mais bem feitas e divulgar a tauromaquia de uma forma que até aqui não tem sido feita. Está provado que andar nos corredores da Assembleia da República não dá em nada, porque depois as coisas chegam ao “chefe” e o chefe diz que se vota contra e só andamos ali a perder tempo. Temos de nos unir mais a nível regional, abordar mais as câmaras e temos as da CDU, PS e PSD onde há praças de touros e é aí que temos de ir. Há uns anos quando se colocou em causa que eram as câmaras que tinham de licenciar os espectáculos, e isso eu não achava mal, porque já sabíamos que aí estava tudo licenciado. As que são contra já acabaram com as praças. Caso de Viana e da Póvoa de Varzim e porque não se agiu a tempo.

Olhando para os que são a favor e para os que são contra, Luís Miguel Pombeiro põe o dedo na ferida “O problema está cá dentro. Não vem de fora. Temos pessoas a apoiar-nos, como Manuel Alegre, João Soares, Elísio Summavielle… o Ministro da Cultura já veio dizer que não é contra, é isto que tem de ser divulgado e que António Costa, que é um democrata, disse a dada altura que não era de proibir nada, mas a verdade é que estas “asneiras” ou infantilidades cometidas, prejudicam tudo isto e de que maneira…”

Algo que não lhe parece bem, nem positivo, é uma certa desorganização nas associações sectoriais, pois, “A PróToiro tem validade, o problema é que os toureiros não arranjam lista; a Associação de Ganadeiros

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