Por despacho publicado no Diário da República, na passada semana, foi reconhecido o estatuto de “Utilidade Pública” à Associação Cultural Ephemera, com sede na Marmeleira, concelho de Rio Maior, culminando assim “com sucesso um longo processo de mais de um ano de procedimentos burocráticos”, refere a associação em comunicado.

Formalmente constituída em 2017, “vem desenvolvendo relevantes actividades de carácter cultural de âmbito nacional em matéria de recolha, tratamento, preservação e divulgação de património histórico, científico, educativo e político de Portugal e do mundo”, refere o despacho.

O estatuto de Utilidade Pública permite a obtenção de financiamento através do mecenato. Pessoas singulares e colectivas que contribuam com verbas e bens para estas instituições podem descontar esses valores em sede de IRS e IRC, conforme estabelecido no Estatuto dos Benefícios Fiscais.

A declaração de Utilidade Pública é da competência do Primeiro-Ministro, actualmente delegada no Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, sendo objecto de despacho publicado no Diário da República (II Série).

A “Ephemera” é uma associação cultural sem fins lucrativos, com 150 voluntários dedicados à preservação de elementos diversos que caracterizam ou simbolizam uma determinada época histórica, sobretudo no plano nacional.

São milhares de publicações, cartazes e informações partilhadas na internet que o ex-deputado José Pacheco Pereira reuniu ao longo de décadas no Arquivo e Biblioteca Ephemera, o maior arquivo privado português.

Trata-se de um acervo constituído pela biblioteca de família, pelas aquisições do próprio desde a década de 60 e por muitas doações. A colecção é constituída por uma série de inventários, catálogos, guias de referência, fontes primárias, manuscritos, correspondência, originais dactilografados, panfletos, cartazes, fotografias, autocolantes e iconografia diversa.

“A biblioteca e arquivo alberga um vastíssimo e riquíssimo espólio, reunindo mais de 200 mil livros e uma quantidade infindável de periódicos, fotografias, cartazes e os mais diversos objectos sobre a história cultural, social, económica e política, nacional e internacional com relevo para os acontecimentos de significado político e/ou social, como manifestações, protestos, campanhas eleitorais e também o recenseamento dos murais e grafitos, com conteúdo político e social” refere ainda o despacho.

Pacheco Pereira tem literalmente “salvo” milhares de documentos, e outros materiais por todo o país, na sua maioria por oferta, mas também por aquisição, inclusive fora de Portugal.

Os voluntários trabalham na recolha, digitalização, organização e inventariação dos materiais entrados e existentes, o que torna única esta iniciativa em Portugal e permite “um output superior a muitos arquivos existentes”.

Há outros aspectos únicos na sua actividade, um dos quais é a recolha activa de fotografias, depoimentos, documentos, de todas as manifestações, protestos, formas de conflito social e político em tempo real.

Isto inclui, apenas para dar exemplos recentes, desde as manifestações de mulheres, às do PNR ou dos lesados do BES, das reuniões sobre a eutanásia aos protestos contra Trump, ou mesmo do protesto dos suinicultores em Portugal. Outro aspecto pouco comum é a recolha não apenas de material documental, como imagens, cartazes, fotografias, mas também de objectos.

A orientação seguida é também recolher material electrónico, mas privilegiar os objectos físicos. Tal como os espaços físicos por onde tem distribuído essa colecção, o politólogo lançou o site Ephemera, um complemento do blogue com o mesmo nome, que pretende ajudar a difundir o arquivo e tem como principal objectivo torná-la acessível a todos.

A diversidade de documentos e de formatos, com muitas imagens de momentos marcantes da história recente do país e a exclusividade de muitos destes documentos, estão entre os aspectos de destaque da Ephemera.

De referir que em Santarém, a sede da Sociedade Recreativa Operária, passou, desde o início deste ano, a ser um dos vários pontos de recolha que se encontram espalhados pelo País, e irá apoiar as actividades do arquivo, incluindo o acolhimento de exposições, conferências e debates, assim como o desenvolvimento de actividades próprias conformes aos interesses dos associados.

Leia também...

Tiragem da cortiça em Coruche inscrita como Património Cultural Imaterial

A tiragem da cortiça no concelho de Coruche foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, segundo anúncio hoje publicado no Diário da…

Câmara de Rio Maior investe 530 mil euros na requalificação da casa do poeta Ruy Belo

A Câmara Municipal de Rio Maior vai investir 530 mil euros na requalificação da casa que viu nascer o poeta Ruy Belo, em São…

Décimo almoço reúniu 200 ‘Amigos do Mangusto’

Cerca de 200 ‘Amigos do Mangusto’ reuniram-se no sábado, 4 de Novembro, no Centro Cultural das Fontaínhas e Graínho, no tradicional almoço promovido pelo…

Celebrados contratos de financiamento no âmbito do ProMuseus 2023

No passado dia 25 de outubro, teve lugar no Museu de Marinha, em Lisboa, a cerimónia de assinatura dos contratos de financiamento para os…