A Câmara de Santarém aprovou a redução dos impostos municipais, medida que retira cerca de 820.000 euros aos cofres do município em 2023, mas que beneficia as famílias e as empresas do concelho, salientou o executivo.

Na reunião de hoje, os eleitos do PSD e do PS, maioria que assegura a governação do concelho no âmbito de um acordo pós eleitoral, votaram favoravelmente a redução da participação variável do IRS, do IMI e da Derrama, numa votação que contou com a abstenção do vereador do Chega, por este partido entender “que se podia ir mais longe”.

Em 2023, o valor de IRS cobrado aos munícipes do concelho de Santarém baixa 0,25%, valor que se soma aos 0,25% reduzidos no presente ano, pelo que o município passará a receber 4,5% da taxa variável deste imposto, o que representa uma redução da receita da ordem dos 183 mil euros.

O Imposto Municipal sobre os Imóveis (IMI) passa a ser de 0,38% (contra os 0,398% cobrados este ano), para os prédios urbanos, mantendo-se o IMI Familiar e a majoração para os prédios em ruínas ou devolutos situados nas Áreas de Reabilitação Urbana.

Já para as empresas, a Derrama desce 0,1% para as que apresentam um volume de negócios superior a 150.000 euros, fixando-se em 1% (sendo 1,5% a taxa máxima), enquanto as empresas que ficam abaixo desse valor, e que representam a maioria das empresas do concelho, pagarão 0,25%.

O presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), disse à Lusa que, desde que o município saiu do programa de saneamento financeiro, em abril de 2019, já abdicou de 2,7 milhões de euros de impostos municipais, quando comparado com o que obteria caso cobrasse as taxas máximas.

“Temos hoje os impostos mais baixos desde há três ou quatro décadas”, declarou, salientando que a medida corresponde ao compromisso de descer impostos sem pôr em causa as contas do município.

“Gostaria de ir mais longe”, disse, lembrando que se perspetiva um ano “difícil” com a previsão de um aumento significativo, nomeadamente, com os custos com a energia e das empreitadas.

Na reunião de hoje foi, igualmente, aprovada a contratação do fornecimento de energia elétrica ao único operador do mercado regulado, com uma previsão de uma triplicação da despesa em 2023.

Ricardo Gonçalves justificou a opção por um procedimento fora dos acordos de compras no âmbito da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, porque, no mercado regulado, o aumento seria ainda maior.

O autarca manifestou “receio” de que o ‘plafond’ concedido à empresa que opera no mercado regulado se esgote, o que obrigaria a contratualizar por valores mais elevados que aqueles que o município está a prever.

Ricardo Gonçalves lamentou que o Governo tenha deixado aos municípios a premissa da redução da participação variável no IRS (que pode ir até 5%), salientando que “o Estado recebe o mesmo, ficando o ónus” nas autarquias.

No final da reunião do executivo municipal, uma munícipe queixou-se da “falta de comunicação” entre a autarquia e a Autoridade Tributária que levou a que, nos últimos dois anos, perdesse a redução do IMI Familiar por não ter sido atualizado, junto das Finanças, o número de polícia do prédio onde reside, ficando prejudicada num total de 140 euros.

Leia também...

Abrantes debate ideias para Câmara dos Jovens

Em fase de campanha eleitoral, os cabeça de listas das cinco candidaturas apresentadas à Câmara dos Jovens de Abrantes participaram na passada sexta-feira, dia…

Bispos reúnem-se em Fátima com compensações a vítimas de abuso na ordem de trabalhos

As compensações financeiras às vítimas de abusos no seio da Igreja Católica vão estar em destaque a partir de hoje, em Fátima, na Assembleia…

Associação Zero lamenta indeferimento de providência sobre deposição de lamas em Ródão

A associação ambientalista Zero afirmou hoje “lamentar” a decisão do Tribunal de indeferir uma providência cautelar apresentada contra a deposição num terreno nas Portas…

Câmara de Mação aprova por unanimidade orçamento de 12,8 ME para 2019

A Câmara de Mação aprovou por unanimidade o orçamento municipal para 2019 de 12,8 milhões de euros, mais cerca de 300 mil euros que…