A Câmara de Sardoal vai criar apoios à realização de montarias para reforçar o controlo da população de javalis, anunciou hoje o presidente do município, que destacou também a inclusão do concelho no projeto-piloto nacional de controlo da espécie.
“Para nós, a inclusão este projeto-piloto é importante porque é o reconhecimento de que o problema existe. É o reconhecimento também da tutela de que o problema existe e que importa ser controlado”, afirmou à agência Lusa Pedro Rosa (PSD).
O autarca de Sardoal, no distrito de Santarém, adiantou que a proposta de apoios às associações de caçadores será apresentada na próxima reunião do executivo, procurando reforçar o controlo de javalis, cuja presença tem provocado prejuízos agrícolas e preocupações com a segurança rodoviária.
“É um apoio que se vai materializar apenas no apoio às montarias, à realização das montarias”, explicou Pedro Rosa, acrescentando que o município colaborará com as associações na aplicação das regras do projeto-piloto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
“Mas, neste momento, há que meter as mãos na massa e fazer este controlo de densidades”, defendeu.
A intenção de atribuir apoios financeiros já tinha sido transmitida às associações numa reunião do Conselho Cinegético Municipal, confirmou à Lusa Nuno Carreira, vice-presidente da Associação de Caçadores de Sardoal, que apontou despesas com matilhas de cães e necessidades de apoio logístico e administrativo.
A associação prepara para 28 de novembro a primeira montaria após o anúncio da integração de Sardoal no projeto-piloto, com inscrições esgotadas, 80 a 90 postos de caça e seis matilhas, abrangendo cerca de 50 hectares junto à Estrada Nacional 2 (EN2).
“Já está esgotada”, confirmou Nuno Carreira, explicando que a ação decorrerá numa zona de confluência de três áreas de caça, com associações de zonas vizinhas, procurando reduzir a presença de javalis junto à estrada.
“Além de ser um hábito cinegético, também nos preocupamos com a segurança de pessoas que frequentam diariamente aquela estrada”, afirmou.
O dirigente referiu que, em montarias anteriores, chegaram a ser abatidos entre 15 e 20 javalis, considerando positivo um resultado semelhante, embora dependa das condições no terreno e se os animais se vão manter na “mancha” selecionada e onde hoje se encontram.
Segundo Nuno Carreira, a população de javalis tem aumentado nos últimos anos, sendo frequentes os contactos de moradores a denunciar prejuízos em hortas e culturas agrícolas.
“A população tem aumentado drasticamente nos últimos anos”, alertou, defendendo uma resposta articulada entre Governo, municípios e associações de caçadores.
A Associação de Caçadores de Sardoal pretende aderir ao projeto-piloto do ICNF e prepara os requisitos administrativos para participar, segundo o dirigente, que considera complementares os incentivos nacionais e os apoios municipais.
“Todos os apoios serão bem-vindos para combater este flagelo”, afirmou, salientando que a caça também contribui para prevenir acidentes rodoviários e prejuízos agrícolas.
O projeto-piloto nacional, lançado pelo Ministério da Agricultura e Mar através do ICNF, dispõe de 500 mil euros e abrange mais de 1.300 zonas de caça, em 65 concelhos de 15 distritos de Portugal continental.
No Médio Tejo, apenas Abrantes, Mação e Sardoal foram incluídos nesta fase, tendo a Comunidade Intermunicipal defendido o alargamento a outros municípios afetados pela presença de javalis.
O programa prevê incentivos de 50 euros por macho e 70 euros por fêmea abatidos acima da média histórica de cada zona de caça, acrescidos de 10 euros por exemplar encaminhado para um estabelecimento aprovado de manuseamento de caça, até ao limite de 2.000 euros por zona.
A iniciativa decorre até 31 de maio de 2027 e procura reduzir prejuízos agrícolas e florestais, acidentes rodoviários e riscos sanitários, nomeadamente a peste suína africana.
