A Câmara do Sardoal vai propor um apoio financeiro às associações de caçadores para realizarem montarias e reforçarem o controlo da população de javalis, sem esperar pelas medidas do projeto-piloto anunciado pelo Governo.
“Este apoio que vamos aprovar será para intervenções imediatas e, neste caso, falo em concreto da questão das montarias”, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara do Sardoal, Pedro Rosa.
O autarca falava após uma reunião do Conselho Cinegético Municipal, realizada hoje em Sardoal, no distrito de Santarém, que juntou as três associações de caçadores do concelho e representantes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), tendo como um dos pontos a análise do aumento da presença de javalis e dos prejuízos e riscos associados.
Pedro Rosa adiantou que vai levar a uma próxima reunião do executivo municipal uma proposta de apoio financeiro às associações, não avançando ainda o montante por o documento não estar concluído.
Contudo, acrescentou, o objetivo será estimular a realização de montarias, ações que têm custos elevados.
As associações de caçadores estão já a preparar as primeiras montarias, embora ainda sem qualquer data marcada, e poderão avançar independentemente dos apoios e das medidas que venham a ser anunciados pelo Governo.
“Logo que as nossas associações estejam disponíveis para isso, nós estaremos cá para apoiar”, afirmou o autarca, ressalvando que as intervenções têm de ser planeadas e preparadas.
O município aguarda, em paralelo, a divulgação das regras, apoios e territórios abrangidos pelo projeto-piloto anunciado pelo Governo para controlar a população de javalis nas zonas mais problemáticas do país, com arranque previsto durante a época de caça de outubro.
Pedro Rosa disse não ter recebido qualquer indicação sobre uma eventual inclusão do Sardoal, mas manifestou interesse em integrar a iniciativa.
“Se tivermos que ser, seremos. Se não formos, estamos cá para fazer a nossa parte e para contribuir para a solução e não para o problema”, afirmou.
Na reunião de hoje, a envolvente da Estrada Nacional 2 (EN2), nomeadamente nas zonas de Andreus e Valhascos, foi apontada como uma das áreas de maior preocupação devido à presença dos animais dentro das localidades, em busca de alimento, e ao risco para a segurança rodoviária.
O presidente da Câmara disse ainda ter conhecimento de pelo menos dois acidentes rodoviários com javalis nos últimos seis ou sete meses, um em Alcaravela e outro na EN2, no Sardoal, mas reconheceu que não existem atualmente dados que permitam quantificar a dimensão do problema no concelho.
Por isso, foi pedido às associações que passem a sinalizar e registar os prejuízos provocados pelos animais, incluindo em hortas e culturas, para permitir reunir dados sobre a incidência do fenómeno.
“É impossível gerir aquilo que não se conhece”, afirmou Pedro Rosa, apontando, no entanto, para “largas centenas ou mesmo milhares de javalis” no território.
Outro dos problemas abordados na reunião foi o destino dos animais abatidos, tendo o autarca defendido que o aumento das ações de controlo deve ser acompanhado por soluções para encaminhamento e eventual valorização das carcaças.
“Não basta dar o dinheiro e incentivar a matar. Temos de pensar como é que vamos dar destino a este produto”, declarou.
Os municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo já manifestaram ao Governo a intenção de integrar o projeto-piloto, considerando que o aumento da população de javalis constitui um problema transversal ao território, embora com diferentes níveis de incidência.
