Por esta é que eu não esperava!

O escritor industrial José Rodrigues dos Santos não gostou das brincadeiras do “Nobel de Literatura”. É até provável que eu venha a ser processado judicialmente. Se tal acontecer o José Rodrigues não é dos santos. É dos diabos!

Já estou a tremer de medo porque “não se brinca com coisas sérias”. Muito menos “denegrindo o trabalho dos outros”…

E eu que sou alérgico a tribunais. Deve ser por causa do pó dos processos e dos ácaros que os habitam há anos.

Bem, esperemos que o escritor se decida sobre o meu futuro.

Se for condenado a pagar alguma indemnização, pedirei um crédito bancário porque o Correio do Ribatejo não tem seguro para cronistas (não é considerada profissão de risco).

Se a pena for prisão domiciliária, ficarei em casa vendo o futebol na televisão, e talvez então aproveite para ler as trezentas e vinte e oito milhões quatrocentas e trinta e cinco mil novecentas e quarenta e sete páginas dos livros que ele já escreveu.

Pena suspensa também não será mau de todo. Penduro a pena no candeeiro da sala e fico com uma decisão judicial decorativa!

Prisão efectiva já será pior. Terei que, penosamente, esperar durante três semanas para me libertarem por “bom comportamento”. Será justo. Eu sempre me portei bem!

Com as “unhas dos pés do Nobel de Literatura” é que parece não ter sido muito correto.

Como dizem os políticos: “estou de consciência tranquila, e vou aguardar serenamente.”

Eu acredito na Justiça em Portugal. Basta ter dinheiro para pagar a bons advogados, esperar que mudem os juízes, e que desapareçam caixotes… É a magia da justiça encaixotada!

In: ‘Correio do Ribatejo’ de 26 de Outubro de 2018

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