A Ecolezíria, empresa intermunicipal para o tratamento de resíduos sólidos, que serve seis concelhos do distrito de Santarém, apresenta hoje, em Almeirim, juntamente com a associação ambientalista Zero, um projecto de recolha selectiva de resíduos porta-a-porta em 21.000 alojamentos.

Além da recolha selectiva de resíduos porta-a-porta nas zonas urbanas de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos, a iniciativa prevê ainda a recolha de resíduos orgânicos em 14.000 alojamentos de quatro desses concelhos (à excepção de Alpiarça e de Benavente).

Os dois projectos, da ordem dos 900.000 euros, são cofinanciados pelo Programa Operacional para a Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), tendo a Zero sido escolhida para colaborar na componente de sensibilização e divulgação do projecto, disse à Lusa o presidente do Conselho de Administração da empresa, Dionísio Mendes.

Sublinhando as metas definidas pela União Europeia para a reutilização e a reciclagem – de 55% do total de resíduos em 2025 e de 65% em 2035 -, a Ecolezíria afirma, em comunicado, que os projectos se inserem na estratégia de “zero resíduos” já adoptada em vários municípios “um pouco por toda a Europa”.

A recolha selectiva porta-a-porta vai, nesta fase, abranger 30% dos alojamentos existentes, num total de cerca de 40.000 pessoas num universo de 123.000 habitantes dos seis concelhos, decorrendo ao longo do primeiro semestre de 2019 a campanha de sensibilização, com reuniões com juntas de freguesia, associações, colectividades e acções de contacto directo com os cidadãos, que serão convidados a preencher um inquérito para se conhecerem os seus hábitos de reciclagem e apelar à sua participação.

Os habitantes envolvidos no projecto vão receber baldes para a separação dos resíduos orgânicos e sacos reutilizáveis para a separação dos resíduos em casa e sacos codificados para separação de papel e de plásticos, que serão postos à porta para recolha em diferentes dias da semana.

Dionísio Mendes realçou que vai ser introduzido um princípio de “premiação”, numa primeira fase com a atribuição de senhas ou vales-brinde que podem ser usados em compras no comércio local, sendo objectivo, a prazo, deduzir o valor correspondente ao peso e volume do lixo separado na tarifa fixa destinada à recolha de resíduos que consta da factura da água.

“Queremos fazer uma distinção pela positiva”, afirmou.

A Ecolezíria quer igualmente candidatar-se para a criação de uma central de triagem de recicláveis, “por forma a melhorar a capacidade de preparação e encaminhamento dos diferentes materiais para reciclagem”, recorrendo, até lá, igualmente a um operador que separa contaminantes, compacta e envia para a Sociedade Ponto Verde, acrescentou.

Para as zonas rurais, onde a dispersão das habitações tornaria demasiado onerosa a recolha porta-a-porta, a empresa projecta reforçar o número de ecopontos, aumentando o rácio por número de habitantes.

Depois da selagem, em 2015, do aterro que geria, situado na Raposa, concelho de Almeirim, a Ecolezíria (fundada em 2004 e detida, desde 2015, exclusivamente pela Resiurb, Associação de Municípios para o Tratamento de Resíduos Sólidos) reposicionou-se para a recolha selectiva, “para que esta atinja níveis superiores aos previstos nas metas estabelecidas”, encaminhando os indiferenciados para o aterro da Resitejo, na Chamusca.

“Aumentando a separação, conseguiremos reduzir os resíduos encaminhados para aterro”, declarou Dionísio Mendes, frisando que “com estes investimentos, e com a generalização da recolha porta-a-porta e da compostagem doméstica”, a Ecolezíria ambiciona tornar-se “não só num dos sistemas de gestão de resíduos sólidos que mais encaminha para reciclagem, como também aquele que mais reduziu a produção de resíduos indiferenciados, contribuindo assim para a prevenção”.

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