O Sugal Group afirmou que a campanha do tomate, que decorre até ao final do mês, está a ser “muito boa” e que, se o bom tempo se mantiver, poderá ter um “rendimento agrícola recorde”.

“Nos últimos dois anos tivemos anos agrícolas não muito bons, mas este ano, até à data, está a ser uma campanha muito boa em termos de quantidade e qualidade e, se tivermos bom tempo até ao fim de Setembro, vai ser uma campanha em termos de rendimento agrícola de recorde”, adiantou o presidente executivo (CEO) da empresa, João Ortigão Costa.

O responsável falava aos jornalistas numa das fábricas de transformação de tomate do grupo, a Guloso, que se situa em Benavente, onde relevou que, apesar dos resultados positivos, não será um ano de recorde em termos de produção da fábrica em Portugal.

“Esperamos transformar cerca de 500 mil toneladas em Portugal. Temos a capacidade de transformar 2,4 milhões de toneladas e esperamos fazer à volta de um 1,7 milhões de toneladas a nível global entre Portugal, Espanha e Chile. A nível de facturação, em, termos de grupo, está na casa dos 280 milhões de euros”, indicou João Ortigão Costa.

O Sugal Group, que nasceu há 60 anos, transforma tomate fresco em concentrado e exporta-o para todo o mundo para fazer molhos e sumos à base deste produto, sendo actualmente o segundo maior produtor mundial de derivados do tomate.

Tem duas fábricas em Portugal, na Azambuja e em Benavente, e uma em Sevilha, em Espanha, mas foi a expansão para o Chile, em 2012, onde tem duas fábricas, que fez com que este se tornasse no único grupo do mundo que consegue trabalhar durante o ano inteiro, apanhando duas campanhas deste produto.

Em Portugal, o tomate é abundante entre Julho e Setembro, o que leva a empresa a recrutar mais cerca de 750 trabalhadores nesta altura do ano, o que motivou o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, a visitar hoje a fábrica de Benavente.

“Quis testemunhar o exemplo desta empresa portuguesa que tem muitas lições a dar à economia portuguesa e ao tecido empresarial local. É uma empresa que nos últimos dez anos praticamente triplicou a facturação e fê-lo porque cresceu de uma forma clara, investindo em coisas que são muito importantes para Portugal, como a aposta na internacionalização muito virada para o mercado exportador, que é o mercado que cresce, com oportunidades à altura das ambições dos portugueses”, frisou.

Apesar do positivismo do grupo e do governante, a Associação Portuguesa de Produtores de Tomate fez, no início de Setembro, um balanço negativo em relação à campanha de tomate no Ribatejo, por estar a ser afectada por doenças que encarecem a produção, reclamando “apoios excepcionais” ao Governo e à União Europeia.

“Aquilo que sabemos é que este é um sector que está sujeito a um conjunto de questões que nada têm a ver com a natureza da produção, mas para isso existem vários esquemas que podem apoiar os produtores”, referiu Pedro Siza Vieira.

O Sugal compra tomate a mais de 120 produtores nesta região, onde também tem havido queixas por parte dos profissionais do concelho de Almeirim, de que os transportadores de tomate estão a ser alvo de “caça à multa”, o que, segundo o presidente da Câmara, Pedro Miguel Ribeiro, está a colocar em causa “o funcionamento de algumas fábricas por falta de matéria-prima”.

O ministro da Economia disse não ter conhecimento desta situação, mas afirmou que na fábrica do Sugal “estão a receber diariamente o que têm a receber”.

“Aqui não tem havido impacto se isso é verdadeiramente assim”, frisou.

Provavelmente associado aos inconvenientes que podem surgir por serem os produtores a entregar o tomate nas fábricas, o Sugal adiantou que já investiu 1,2 milhões de euros em frota própria em Portugal, o que actualmente representa 40% do transporte do tomate, tendo o objectivo de chegar aos 100%.

Portugal é o único país onde a empresa não faz a totalidade da recolha do produto, porque era comum que os produtores tivessem frota própria e entregassem o tomate nas fábricas.

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