A Câmara de Tomar considera insuficientes os cerca de cinco milhões de euros previstos no Portugal 2030 para três grandes intervenções urbanas e rodoviárias, estando a estabelecer prioridades e a rever o projeto de requalificação da Estrada Nacional (EN) 110.
Em causa estão a requalificação da EN110, em Carvalhos de Figueiredo, a intervenção no centro histórico, incluindo a Avenida Cândido Madureira, e o prolongamento da Avenida Maria de Lourdes Mello e Castro, projetos cujos custos ultrapassam os recursos disponíveis.
O presidente da Câmara, Tiago Carrão (PSD), explicou, na reunião do executivo de terça-feira, que a autarquia terá de definir prioridades, uma vez que o financiamento previsto é insuficiente para concretizar as três intervenções no concelho, no distrito de Santarém.
Segundo o autarca, a requalificação da EN110 constitui uma das prioridades, mas o projeto está a ser revisto por uma equipa diferente da autora, depois de os serviços municipais terem identificado lacunas, erros e outros aspetos técnicos que necessitam de correção.
“O projeto está neste momento em revisão com uma equipa diferente da equipa autora”, afirmou, acrescentando que está em curso uma análise aprofundada para melhorar a solução e responder aos problemas identificados.
Carrão recordou que o projeto foi apresentado publicamente em outubro de 2024, mas considerou que, nessa altura, estava ainda longe de se encontrar concluído, referindo que sofreu mais de duas dezenas de revisões.
O objetivo é concluir a atual revisão no início de 2027, eventualmente até ao final do primeiro trimestre, para permitir o lançamento dos procedimentos de contratação da empreitada.
O presidente admitiu que, se o processo decorrer sem novos constrangimentos, a primeira fase da intervenção poderá arrancar no segundo semestre de 2027, depois da Festa dos Tabuleiros, sublinhando que não se trata de um compromisso definitivo.
A empreitada deverá começar pelo troço até à zona da Associação de Carvalhos de Figueiredo, abrangendo aproximadamente metade da intervenção inicialmente prevista, com um prazo de execução estimado em cerca de dois anos.
A requalificação da EN110 contempla não apenas a melhoria do pavimento e das condições de circulação, mas também intervenções nas infraestruturas, acessibilidades, mobilidade pedonal e ciclável e drenagem de águas pluviais.
O projeto apresentado em 2024 tinha um investimento estimado em cerca de nove milhões de euros, valor que poderá sofrer alterações na sequência da revisão técnica em curso.
Quanto à requalificação do centro histórico e da Avenida Cândido Madureira, Tiago Carrão explicou que a intervenção de fundo não deverá avançar no imediato, quer pelas limitações financeiras, quer pela proximidade da Festa dos Tabuleiros, prevista para 2027.
Perante a degradação do pavimento, a Câmara pretende realizar uma intervenção mais simples na Avenida Cândido Madureira, que poderá ficar concluída ainda este ano, garantindo melhores condições de circulação e segurança.
Durante a discussão, o vereador Hugo Cristóvão (PS) alertou que a requalificação do centro histórico não se limita à substituição de pavimentos, uma vez que existem ruas naquela zona da cidade ainda sem rede de saneamento e com condutas de água envelhecidas.
O vereador defendeu que a intervenção permitiria também renovar infraestruturas subterrâneas, incluindo redes elétricas e de comunicações, e considerou que esses problemas reforçam a necessidade de concretizar a obra.
A Câmara não apresentou, na reunião, um calendário definitivo para as três intervenções nem esclareceu como será distribuído o financiamento disponível.
A Lusa solicitou esclarecimentos ao município sobre os custos atualizados de cada projeto, as prioridades de investimento e o financiamento efetivamente garantido para a EN110, mas não obteve resposta até ao momento.
