A situação em Tomar “estabilizou” cerca de 100 dias após a tempestade Kristin, mas continuam a existir constrangimentos nas comunicações e na gestão florestal, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara, Tiago Carrão.
“A situação estabilizou, mas o volume de trabalho que temos ainda pela frente, em várias dimensões, é enorme”, afirmou o autarca de Tomar, destacando problemas persistentes, sobretudo nas telecomunicações.
Segundo Tiago Carrão (AD – coligação PSD/CDS-PP), várias freguesias do concelho continuam com limitações no acesso a redes móveis, uma situação que não depende diretamente do município.
“Temos ainda hoje freguesias em boa parte sem acesso a algumas das operadoras, o que, ao fim de três meses, é um transtorno significativo para a vida das pessoas e para a sua vida profissional”, referiu.
O autarca sublinhou que o concelho continua dependente da atuação de entidades externas, nomeadamente das operadoras de telecomunicações, para a resolução destas falhas.
Também ao nível da iluminação pública subsistem problemas, com particular incidência na freguesia de Olalhas.
“Em boa parte, a iluminação pública ainda não funciona”, disse, acrescentando que os constrangimentos nas áreas da energia e comunicações são “os principais problemas que ainda se sentem”.
O presidente da Câmara de Tomar frisou que o trabalho de recuperação dos danos causados pelas tempestades não será rápido.
“É um trabalho que não é de semanas, é um trabalho que será seguramente de meses”, afirmou, recordando que os danos no concelho se aproximam dos 7 milhões de euros e que a principal preocupação neste momento é a floresta.
“Neste momento, a grande prioridade é a floresta. O verão aproxima-se e temos ainda agora a agravante do derrube de muita árvore e muito combustível espalhado”, explicou.
O autarca alertou ainda para caminhos florestais obstruídos, considerados essenciais para o combate a incêndios.
“Estamos neste momento em contrarrelógio (…) não pouparemos esforços para estarmos nas melhores condições possíveis para o combate a esta época de incêndios”, disse.
Em paralelo, o município está a avançar com uma reestruturação da proteção civil municipal e do corpo de bombeiros, enquadrada na resposta aos desafios operacionais e ao próximo verão.
“Foi a reorganização dos serviços municipais que permitiu distinguir a proteção civil do corpo de bombeiros, dois serviços distintos, mas complementares”, explicou.
Tiago Carrão sublinhou que o objetivo da mudança é reforçar a capacidade de resposta.
Questionado sobre a ausência de um comandante titular nos bombeiros, o autarca confirmou que a corporação está a ser assegurada em regime de transição.
“Temos a corporação a funcionar com o segundo comandante, no qual temos total confiança”, disse, adiantando que o processo de nomeação de novas lideranças está em fase final e que “em breve será anunciado” o futuro comandante dos bombeiros e o coordenador da proteção civil municipal.
Segundo o autarca, o novo modelo pretende separar funções, mas garantir coordenação operacional.
“Teremos um coordenador da proteção civil e um comandante dos bombeiros que vão trabalhar lado a lado”, explicou.
Tiago Carrão reforçou que a reorganização tem como objetivo preparar o concelho para o período crítico do verão, sobretudo no que respeita ao risco de incêndio.
