O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, reuniu-se esta segunda-feira, em Lisboa, com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, com vista à procura de soluções para dois dos problemas ambientais e de infraestrutura que têm afetado a população tomarense: a poluição no rio Nabão e a necessidade de renovação da rede de abastecimento de água obstruída, consequência da utilização excessiva da Mendacha.

“Estes são problemas antigos, mas que têm de ter solução. Desde o início do mandato que temos vindo a trabalhar para os colocar na agenda política ao mais alto nível, e este encontro com a Ministra representa um passo decisivo nesse percurso. Tomar não vai desistir de defender o que é justo para o seu território e para os seus munícipes”, afirmou Tiago Carrão.

Em comunicado enviado, o município refere que a presente reunião surge na sequência de um encontro realizado no início do ano com o Secretário de Estado do Ambiente e representa “mais um passo na defesa destas duas prioridades inadiáveis para o concelho”, num trabalho que a autarquia defende que tem desenvolvido de forma sustentada desde o início do mandato.

As reuniões contaram com a presença da vereadora Sandra Cardoso, do diretor-geral da Tejo Ambiente, José Santos, e da chefe de divisão de Planeamento e Ordenamento do Território, Susana Pereira.

Rede de Abastecimento de Água de Mendacha: Perdas de Água de 94%

O subsistema de abastecimento de água da Mendacha encontra-se em estado crítico, devido à acumulação de calcário nas tubagens ao longo de décadas e que resultou numa rede de 253 km de extensão, quase totalmente obstruída, e que serve mais de 5 mil alojamentos.

“Atualmente, as perdas de água no subsistema atingem os 94%, ou seja, por cada 100 litros de água introduzidos na rede, apenas 6 são faturados ao utilizador, um valor que tem vindo a agravar-se de forma acentuada nos últimos anos”, explica o município.

O projeto de renovação da rede, já desenvolvido, prevê uma intervenção faseada em três zonas do concelho, com um investimento total estimado em 17,8 milhões de euros (preços de 2021), num montante que, como evidencia a autarquia, ultrapassa largamente a capacidade de financiamento da Tejo Ambiente.

Rio Nabão: Emissários Degradados e ETAR em Sobrecarga

Segundo a autarquia, a poluição no troço de Tomar da bacia hidrográfica do Nabão tem, em parte, origem na degradação de dois emissários, com cerca de 70 km de extensão total, que conduzem efluente às ETAR do Alto Nabão e de Seiça.

“Em períodos de precipitação intensa, estas infraestruturas recebem caudais muito superiores à sua capacidade de tratamento, com impacto direto na qualidade da água dos rios Nabão, Zêzere e Tejo”, destaca, afirmando que a reabilitação destes emissários está estimada em 19,5 milhões de euros (preços de 2020).

A Câmara Municipal adianta que para ambos os problemas foram apontadas soluções, que serão agora trabalhadas em conjunto pelo Município de Tomar, pela Tejo Ambiente e pelo Ministério do Ambiente e Energia, num processo de articulação técnica e financeira que visa garantir a execução das obras necessárias.

Na reunião foram ainda discutidos investimentos relevantes para o território e sublinhada a urgência da inclusão das cotas de cheia do estudo hidrológico de Tomar no Plano de Gestão dos Riscos de Inundação (PGRI), um instrumento “decisivo para o planeamento do futuro do concelho e viabilizar investimentos municipais e privados”, concluiu o município.

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