Foto: CGTP-IN

Os trabalhadores da Nobre, em Rio Maior, cumprem hoje a 29.ª greve face à recusa da administração em negociar o caderno reivindicativo, admitindo fazer chegar os protestos à Sigma Alimentos, grupo mexicano que detém a empresa.

“Vamos ter que chegar mais longe para desbloquear esta situação”, disse à agência Lusa o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB), Diogo Lopes, expressando a vontade dos trabalhadores da Nobre Alimentação, SA em “intensificar a luta e chegar ao Grupo Sigma Alimentos [no México] que detém a empresa”.

O conflito com a empresa de Rio Maior, arrasta-se desde 2023 com os trabalhadores a efetuarem 29 greves em protesto contra a recusa da administração em negociar o caderno reivindicativo.

“É complicado para os trabalhadores que ganham tão pouco, mas é uma luta justa que vai ter que chegar fora do país”, disse Digo Lopes, explicando que “a situação deverá voltar a ser levantada no Comité Europeu do Grupo [que se realiza em Espanha, no Verão] e, possivelmente, terá que ser transmitida diretamente aos responsáveis pelo Grupo, no México”.

A posição foi assumida durante a greve cuja adesão “rondou percentagens similares às anteriores”, normalmente na ordem dos 80%, disse sindicalista. Porém, acrescentou, “nas últimas greves tem sido difícil ter a certeza dos números, porque a empresa tem impedido a entrada do piquete greve dentro das instalações, permitindo ir só à área social o que não permite comprovar números concretos de adesão”.

Contactada pela Lusa a Nobre Alimentação estimou que a paralisação tenha tido “uma taxa de adesão entre 10% e 15%, tendo todas as linhas de produção permanecido operacionais e sem qualquer perturbação da atividade”.

Os trabalhadores exigiam um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição e do trabalho noturno, a implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.

A falta de acordo levou à realização de reuniões de conciliação na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), infrutíferas, embora os trabalhadores tenham acedido a descer a proposta de aumento salarial de 150 para 50 euros.

O SINTAB, que em março tinha acusado a empresa de pressionar os trabalhadores a não aderirem às greves, reiterou hoje as acusações, denunciando que “numa tentativa de condicionar o trabalho sindical, na semana passada [responsáveis pela empresa] reuniram com os trabalhadores dizendo que as delegadas sindicais recebem o dia de greve, que é completamente mentira”.

Esclarecendo que “o dia de greve é descontado às delegadas sindicais como a quaisquer outros trabalhadores”, Diogo Lopes lamentou que “a empresa tenha adotado este sistema”, de usar “mentiras para tentar desmobilizar estas greves”.

Em resposta à Lusa a Nobre Alimentação afirmou que “a empresa atua em total conformidade com todos os enquadramentos legais e laborais aplicáveis” e que “qualquer alegação em contrário é infundada”.

Para a empresa “estas greves devem ser entendidas num contexto mais amplo, uma vez que reivindicações semelhantes estão atualmente a ser apresentadas em várias empresas e setores, como parte de uma estratégia sindical coordenada a nível nacional”.

A Nobre esclarece que “oferece um enquadramento remuneratório abrangente, que vai além do salário base e inclui prémios, subsídio de refeição e outros benefícios” e que a prioridade “continua a ser assegurar a estabilidade operacional, adotar medidas sustentáveis no longo prazo e manter canais estruturados e construtivos de diálogo”.

O SINTAB garante não haver “qualquer diálogo nem avanço nas negociações”, pelo que os trabalhadores decidiram hoje aderir à greve geral de 03 de junho e efetuar uma nova paralisação a ser convocada pelo sindicato para 05 do mesmo mês.

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