O Festival do Bunho e do Pão de Barbela regressou à Moçarria, entre os dias 9 e 11 de Outubro, promovendo as tradições locais e unindo as associações da freguesia num único restaurante. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o presidente da Junta de Freguesia, Dário Santos, faz o balanço do evento e revela projectos futuros, como o Centro Interpretativo do Bunho e a Creche da Moçarria. 

A Moçarria voltou a receber o Festival do Bunho e do Pão de Barbela. Qual o impacto económico e social que o evento tem tido na freguesia?

O impacto social e económico do festival tem sido dar a conhecer o bunho como forma de artesanato e o pão de barbela como um produto sustentável. Estamos a falar de um trigo ancestral que tinha sido abandonado devido à fraca produtividade, mas que hoje se aplica à agricultura sustentável.

O festival permite-nos promover o bunho e encontrar novas formas de preservar esta arte, sobretudo na formação de novos artesãos. A nível social, o impacto reflecte-se nas associações que participaram este ano na confecção gastronómica do evento através de um restaurante único interassociações.

Anteriormente tínhamos um formato de tasquinhas, mas optámos por juntar todas as entidades num único espaço onde trabalharam em conjunto. Fizemos obras na cozinha e temo-la actualmente equipada com todas as condições. Fazia sentido usufruirmos desse espaço de outra forma, comparativamente aos anos anteriores, por uma questão de segurança e de organização. 

As associações são um pilar essencial na ajuda à Junta de Freguesia na organização do festival e são sempre um motivo de orgulho. Temos um movimento associativo que funciona bem e queremos que todas as associações da freguesia se sintam uma só.

O bunho e o pão de barbela são símbolos culturais e gastronómicos da freguesia. Que tipo de estratégias a Junta tem adoptado na preservação e divulgação destas tradições? 

O facto de promovermos o festival e trazermos todos os anos estas duas tradições para o primeiro plano já enaltece o trabalho da Junta de Freguesia na sua preservação.

No entanto, o nosso objectivo é que possamos ter o Centro Interpretativo do Bunho na localidade do Secorio. Associado a este espaço, queremos ter um futuro centro de formação dedicado à arte, sobretudo a do bunho, mas também a outras artes de fibras vegetais. O projecto do Centro Interpretativo já está a ser elaborado e contamos iniciar a obra no próximo ano, em 2027, data que prevemos a abertura de portas. Numa primeira fase terá uma vertente mais museológica, para contar a história do bunho na freguesia, avançando depois para o centro de formação. 

Relativamente ao pão, queremos que se assuma no futuro como uma marca identitária da freguesia, criando dinâmicas próprias em torno do produto. 

A freguesia tem sido alvo de várias intervenções, como é o caso do planeamento da nova creche da Moçarria. Em que fase se encontra este último projecto e que benefícios trará para a população?

Este projecto surgiu há cerca de ano e meio. Tínhamos um edifício escolar onde funcionava o jardim de infância e a escola primária, e percebemos que era um espaço apto para receber uma creche. Dado que não existiam creches públicas no concelho, articulamos com a Câmara Municipal a possibilidade de criar a Creche Pública da Moçarria. 

Tem sido um processo moroso por envolver a Segurança Social, mas a aprovação dos pareceres por parte desta entidade já está concluída. Estamos agora na fase de elaboração dos projectos de especialidade. Seguir-se-á a fase de contratação pública da empreitada e, assim que possível, a abertura de portas. 

É uma obra de grande importância para fixar os jovens no concelho, beneficiando não só a Moçarria, mas também todas as freguesias envolventes e a própria cidade de Santarém. 

Que outros projectos e intervenções estão em vista para a freguesia e que o actual executivo pretende realizar até ao fim do mandato?

Estamos a terminar as obras de requalificação do Centro de Saúde, uma intervenção muito aguardada e que se encontra na sua fase final. Queremos também revitalizar a antiga escola do Secorio, tornando-a um espaço de apoio ao Centro Interpretativo do Bunho, mas também apta para as festas e usufruto das associações locais. Adicionalmente, temos a intenção de criar o Museu Rural da Freguesia da Moçarria. Já temos, inclusive, um benemérito que nos vai doar um espólio importantíssimo da memória colectiva e das tradições passadas da nossa terra. A par disso, continuaremos com as obras de manutenção e melhoria dos espaços públicos. 

 

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