A Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria), através do Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco do HDS e do Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco nos Concelhos, promoveu, no passado dia 8 de maio, o 2.º Encontro do NHACJR/NACJR da ULS Lezíria, subordinado ao tema “Violência na Adolescência – Um Caminho a Prevenir”.
A iniciativa teve lugar no Auditório da Casa dos Patudos, em Alpiarça e reuniu profissionais de saúde, entidades locais, forças de segurança e parceiros da comunidade, com o objetivo de reforçar a articulação interinstitucional, promover a reflexão e consolidar estratégias de prevenção, deteção precoce e intervenção perante situações de violência que envolvam crianças e jovens.
Na sessão de abertura, Maria do Rosário Martins, coordenadora do NACJR, deu as boas-vindas aos participantes e destacou que “a prevenção da violência exige uma abordagem integrada, consistente e colaborativa”, sublinhando que “a intervenção precoce, a partilha de informação e o trabalho em rede são determinantes para garantir respostas mais eficazes e centradas nas necessidades das crianças, dos jovens e das suas famílias”.
João Formiga, vice-presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, saudou a realização do encontro e valorizou a mobilização das várias entidades presentes. Antigo profissional do Hospital Distrital de Santarém, onde exerceu funções durante vários anos enquanto enfermeiro e, posteriormente, como enfermeiro diretor, reiterou a disponibilidade da Autarquia para continuar a colaborar e acolher iniciativas desta natureza.
Pedro Maria Carvalho, coordenador da Equipa de Interlocução do Programa Nacional de Prevenção da Violência no Ciclo de Vida da ULS Lezíria, realçou a dimensão multifatorial da violência. Na sua intervenção, referiu que estas problemáticas “carecem de soluções de natureza interdisciplinar”, sublinhando que “o dever de colaboração está consagrado na Constituição, no Código do Procedimento Administrativo e nos diferentes diplomas legais”.
Daniela Reis, coordenadora regional do Programa Nacional de Prevenção da Violência ao Longo da Vida da Direção-Geral da Saúde, destacou o papel dos núcleos e equipas multidisciplinares enquanto estruturas de apoio e ligação entre a saúde e a comunidade. Ao usar da palavra, sublinhou que só “em conjunto, em comunidade, articulados e próximos” é possível construir redes capazes de prevenir e mitigar situações de violência.
Ana Calado, diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Primários da ULS Lezíria, enquadrou a adolescência como uma fase de profundas transformações e vulnerabilidade, alertando para as diferentes formas que a violência pode assumir. Dirigindo-se aos participantes, sublinhou que “enquanto Unidade Local de Saúde temos a responsabilidade de promover respostas cada vez mais articuladas, acessíveis e próximas, reforçando não apenas a intervenção perante situações de risco, mas sobretudo a prevenção e a promoção de ambientes seguros, protetores e saudáveis para os nossos jovens”.
Pedro Marques, presidente do Conselho de Administração da ULS Lezíria, destacou a importância de transformar a “inquietação” em ação concreta na proteção de crianças e jovens. O responsável salientou a necessidade de reforçar o trabalho em rede entre saúde, autarquias, forças de segurança, escolas e comunidade, não apenas na sinalização das situações, mas sobretudo na prevenção. Pedro Marques deixou uma palavra de reconhecimento aos profissionais que integram estas equipas, destacando o “propósito muito nobre” do trabalho desenvolvido junto das crianças e jovens em situação de risco.
Ao longo do dia, o programa do evento integrou diferentes comunicações dedicadas à perspetiva legal da violência na adolescência, ao impacto das redes sociais, ao papel da família e dos jovens, à experiência das forças de segurança e aos efeitos da institucionalização, promovendo a partilha de conhecimento entre profissionais e entidades parceiras.
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