A Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria quer avançar com a construção de um novo edifício no espaço do atual heliporto do Hospital de Santarém, que integrará várias unidades clínicas e áreas de apoio, confirmou hoje aquela ULS.

Questionada pela Lusa sobre a existência de um calendário ou montante previsto para a obra, fonte oficial da ULS Lezíria esclareceu que, “neste momento, existe o plano e estão a ser iniciados os trabalhos internos de planeamento”, pelo que “só depois haverá projeto e estimativa de investimento”.

O presidente da ULS Lezíria, Pedro Marques, explicou, na reunião do executivo municipal de Santarém de segunda-feira, que o projeto inclui uma unidade de cirurgia ambulatória, uma unidade de cuidados intensivos, cuidados intermédios, um serviço de esterilização, um hospital de dia de oncologia e um novo departamento multidisciplinar que agregará cardiologia, cirurgia vascular, hematologia, ortopedia e urologia.

Segundo Pedro Marques, a ULS já designou as equipas que vão elaborar o projeto, adiantando que se trata de “um investimento de médio e longo prazo” que necessitará de negociação direta com o Governo por se situar fora dos mecanismos de financiamento disponíveis, como o PRR ou o Alentejo 2030.

O presidente da ULS sublinhou que o crescimento populacional na região, cerca de 3% em 2025, aliado ao aumento do número de utentes sem médico de família em Santarém, justifica a necessidade de reforçar a capacidade de resposta.

“Mesmo que tivéssemos médicos disponíveis, não teríamos espaço físico para acomodar novas equipas. A pressão demográfica obriga-nos a repensar estrategicamente a nossa infraestrutura”, afirmou.

O responsável explicou ainda que, inicialmente, a ideia era construir um piso adicional sobre as consultas externas, mas os estudos geotécnicos demonstraram que a estrutura não aguenta mais um piso, forçando a solução de um novo edifício de raiz.

Entre outras intervenções previstas, a ULS quer ainda requalificar a patologia clínica, ampliar o serviço de urgência com a criação de um espaço de decisão clínica (SEO) e avançar com as obras da nova cozinha hospitalar, um investimento estimado em cerca de 4 milhões de euros, após a ASAE ter determinado o encerramento da atual cozinha.

Ao mesmo tempo, prosseguem as empreitadas financiadas pelo PRR, que totalizam cerca de 34 milhões de euros, estando em curso obras em enfermarias, a substituição do quadro geral de baixa tensão, a renovação da rede de águas e a empreitada para a deslocalização da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) para a zona da portaria.

Aproveitando a ocasião para apresentar os resultados de 2025, Pedro Marques destacou a redução das horas extraordinárias e um aumento de 25% na hospitalização domiciliária, face ao ano anterior.

Já nos cuidados hospitalares, registou-se uma subida de 3,7% nas consultas, ainda que as primeiras consultas tenham recuado 1,4%.

O presidente reconheceu dificuldades no bloco de ginecologia e obstetrícia devido à falta de anestesiologistas, que levou ao encerramento pontual do atendimento, explicando que as ULS da Lezíria, Oeste e Médio Tejo têm estado a operar com escalas conjuntas para garantir que nunca estão as três em simultâneo com a urgência encerrada.

Pedro Marques acrescentou ainda que a dívida da ULS atingiu 44,9 milhões de euros no final de 2025, mais 2,8 milhões face ao ano anterior, justificando o aumento sobretudo com reforços obrigatórios na despesa com pessoal, pagamentos de impostos em atraso e integração de despesas anteriormente suportadas pela Administração Regional de Saúde (ARS).

O responsável assegurou, contudo, que o Conselho de Administração está empenhado em “deixar a instituição melhor do que a encontrou”, apesar dos constrangimentos financeiros e operacionais.

“Tem sido um ano e meio de grande compromisso e exigência”, afirmou.

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