Foto: CGTP IN

A União dos Sindicatos de Santarém anunciou o compromisso na mobilização dos trabalhadores do distrito para a greve geral contra o pacote laboral, que considera “agravar desigualdades” e “enfraquecer direitos laborais”.

Em comunicado, a estrutura sindical afirma um “firme compromisso” de mobilização para a greve geral convocada pela CGTP-IN para 03 de junho, defendendo que as medidas propostas promovem “a precariedade e colocam em causa conquistas dos trabalhadores”.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente sindical Mário Santos admitiu uma “expressão forte” da greve geral no distrito de Santarém, antecipando uma adesão superior à registada em dezembro.

“Estamos a contar com uma participação massiva. É difícil fazer previsões, porque a greve depende sempre da decisão individual dos trabalhadores, mas acredito que haja mais pessoas a aderir do que em dezembro”, afirmou.

Segundo o dirigente sindical, o aumento do descontentamento face ao pacote laboral poderá refletir-se numa maior mobilização.

“As pessoas estão mais descontentes do que estavam em dezembro e isso sente-se em vários setores”, disse, apontando como exemplo a manifestação de cerca de professores realizada em Lisboa no sábado.

Quanto ao impacto setorial da greve de 03 de junho, o sindicalista antecipa perturbações em várias áreas, com destaque para a saúde, comércio e indústria.

“Na saúde, já há indicações de uma boa adesão, ainda que com garantia de serviços mínimos”, afirmou. No comércio, admitiu a possibilidade de encerramento de alguns estabelecimentos.

No setor privado, Mário Santos destacou o caso da unidade “Nobre”, em Rio Maior, onde os trabalhadores deverão aderir à greve geral, prolongando a paralisação por dois dias.

“Estamos a acompanhar, empresa a empresa, o posicionamento dos trabalhadores, e o feedback que temos aponta para uma adesão significativa”, disse.

Mário Santos sublinhou que a greve ultrapassa a realidade específica de cada local de trabalho, mesmo quando existe uma relação estável entre trabalhadores e empregadores, defendendo que “o que está em causa é um pacote laboral” que considera “punitivo e restritivo”, com impacto transversal nos setores público e privado.

O dirigente reconheceu ainda o impacto financeiro da paralisação, admitindo que a perda de um dia de salário pesa no orçamento dos trabalhadores, mas sustentou que, ainda assim, muitos optam por aderir por considerarem que “está em causa o futuro das suas condições de trabalho.

Na nota enviada à Lusa, a União de Sindicatos de Santarém diz ainda que a greve geral insere-se nas orientações do Conselho Nacional da CGTP, tendo como principais reivindicações aumentos salariais, a defesa da contratação coletiva, a redução do custo de vida e a proteção dos serviços públicos.

A União dos Sindicatos de Santarém sublinha ainda a necessidade de melhorar o rendimento das famílias e garantir o acesso a serviços públicos de qualidade.

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