A Golegã recebe, de 6 a 15 de Novembro, a 50.ª edição da Feira Nacional do Cavalo, num ano marcado pela inscrição do certame no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. António Camilo, presidente da Câmara Municipal e da Associação Feira Nacional do Cavalo, considera o reconhecimento uma etapa decisiva e confirma a intenção de avançar com uma candidatura à UNESCO, embora sem estabelecer prazos. Nesta entrevista ao Correio do Ribatejo, o autarca defende a preservação da identidade da Feira, aborda os desafios da organização e da internacionalização do cavalo Lusitano e aponta a habitação, a fixação de população e a dinamização económica como prioridades para o futuro do concelho.

A Golegã prepara-se para receber mais uma edição da Feira Nacional do Cavalo, um acontecimento que coloca o concelho no centro das atenções do mundo equestre. Que Feira vamos encontrar este ano? O que distingue a edição de 2026 das anteriores e quais são as principais apostas da organização?

A Feira da Golegã é muito mais do que um evento. É a nossa identidade, a nossa história e uma tradição que passa de geração em geração. Quem nos visita encontra cavalos de grande qualidade, criadores, cavaleiros, famílias e pessoas que vêm à Golegã porque sentem esta Feira como algo único.

A edição deste ano, de 6 a 15 de novembro, mantém essa essência, com o Cavalo Lusitano no centro das atenções e a tradição de São Martinho bem presente. Assinalamos também a 50.ª edição da Feira Nacional do Cavalo, um marco importante no percurso deste evento.

Temos trabalhado para continuar a valorizar o que temos de melhor, mas também melhorar a organização, reforçar a segurança, tornar mais funcional a distribuição dos espaços e intensificar os controlos veterinários, garantindo melhores condições e o bem-estar dos animais. Queremos também dar cada vez mais destaque ao Cavalo Lusitano e aos seus criadores, promovendo a sua presença e o trabalho que desenvolvem, sem nunca perder a tradição que faz da Feira da Golegã um evento único.

Não se trata de mudar a Feira por mudar. Trata-se de cuidar dela, de a preparar para o futuro e de garantir que os nossos filhos e netos também a possam viver com o mesmo orgulho.

O nosso trabalho tem sido diário, intenso e focado no futuro da nossa Feira e da nossa terra.

 

A poucos dias da abertura, a Feira da Golegã acaba de ser inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. É um reconhecimento há muito ambicionado, mas que traz também novas responsabilidades. O que representa esta distinção para a Golegã e que consequências práticas poderá ter na valorização e preservação da Feira?

É um motivo de enorme orgulho para a Golegã e para todos aqueles que, ao longo de gerações, ajudaram a construir esta Feira. Este reconhecimento oficial, concretizado em outubro de 2026, confirma a importância da Feira enquanto símbolo da identidade da nossa comunidade, com raízes na Feira de São Martinho e uma ligação muito forte ao mundo equestre.

Quem me conhece sabe que não sou de me colocar em bicos dos pés, mas considero importante esclarecer o percurso que conduziu a este reconhecimento. Este processo começou a ser falado no seio da Direção da Feira em 2022, ganhou corpo nos anos de 2023 e 2024 tendo a candidatura sido entregue por nós em setembro de 2025. Não teve nada a ver com anteriores direções ou promotores. Este facto é reconhecido por todos os que estão ligados aos órgãos sociais da FNC. O resto é ruído e são demonstrações de submissão doentia ou, então, ressabiamentos incontrolados.

Uma palavra de gratidão à actual Direção e também à anterior Direção da Feira. ambas por mim presididas, à Sr.ª Dr.ª Carla Queiroz, ao Sr. Dr. João Costa Ferreira, bem como aos funcionários da Feira e membros do meu Gabinete. Especial agradecimento ao Sr. Eng. José Canelas e ao Sr. Vice-Presidente da Câmara Diogo Rosa.

Foi um trabalho intenso de toda a equipa. Foi também uma etapa concluída e vamos iniciar já a nossa candidatura a Património Imaterial da UNESCO e estamos também a trabalhar para sermos uma Associação de utilidade pública.

Mas este reconhecimento não é apenas um título para colocar na parede. Traz responsabilidades. Temos de preservar as tradições, valorizar os criadores, os cavaleiros, os artesãos, os comerciantes e todos aqueles que fazem parte desta realidade.

A Feira cresceu muito, mas não podemos deixar que o crescimento apague aquilo que a torna especial. O nosso dever é encontrar o equilíbrio entre a tradição e a evolução, garantindo que a Feira continua a ser vivida pelas pessoas e não apenas visitada por quem vem de fora.

 

O passo seguinte será a candidatura à UNESCO, uma ambição que a autarquia tem vindo a assumir publicamente. Em que fase se encontra efectivamente esse processo, que trabalho falta desenvolver e que calendário considera realista para a apresentação da candidatura?

A inscrição no Inventário Nacional é um passo muito importante e dá-nos uma base sólida para trabalhar a ambição de chegar à UNESCO.

Mas temos de fazer as coisas com seriedade. Uma candidatura desta natureza exige investigação, documentação histórica, envolvimento da comunidade e, acima de tudo, um plano consistente de salvaguarda da tradição. É necessário estruturar esse trabalho, identificar as medidas de salvaguarda a implementar e assegurar o envolvimento das entidades e das pessoas que estão directamente ligadas à Feira.

Estamos numa fase em que importa consolidar as bases deste processo e definir os passos necessários para preparar uma candidatura consistente. Não quero avançar com datas que não estejam devidamente sustentadas. O que posso garantir é que existe vontade de prosseguir esse caminho, em articulação com as entidades competentes e com as pessoas que conhecem a Feira por dentro.

A UNESCO não pode ser vista apenas como uma distinção. O mais importante é o trabalho que fazemos para preservar a Feira. Se fizermos esse trabalho bem feito, estaremos mais preparados para dar os passos seguintes.

A Feira preserva tradições com vários séculos, mas cresceu, internacionalizou-se e tornou-se um acontecimento de enorme dimensão. Como se concilia a necessidade de modernizar infra-estruturas, melhorar as condições de funcionamento e responder às exigências actuais com a preservação da identidade popular e equestre que torna a Golegã tão singular?

Conciliar a modernização com a preservação da identidade da Feira é um dos nossos maiores desafios. A Golegã tem uma Feira com uma história secular, mas hoje recebe milhares de pessoas, cavalos, profissionais e visitantes de muitos pontos do país e do estrangeiro. As exigências são diferentes das de há 30 ou 40 anos.

Temos de melhorar infra-estruturas, acessibilidades, segurança, higiene e condições para os animais. Isso é indispensável. A dimensão que a Feira alcançou obriga-nos a melhorar continuamente a organização e o funcionamento do certame, garantindo condições adequadas para quem participa, trabalha, visita e vive na Golegã. Mas temos de o fazer respeitando a nossa identidade.

O Arneiro, o cavalo, os campinos, os criadores, a tradição de São Martinho e a proximidade entre as pessoas fazem parte daquilo que somos. Não queremos transformar a Golegã numa feira igual a tantas outras.

Queremos modernizar o que é necessário, sem perder a alma da Feira. E isso só se consegue ouvindo quem cá vive, quem trabalha no sector e quem nos visita.

Para os mais desatentos, quero realçar que estou na Feira desde 1982, tendo assumido desde o ano de 1995, e por cerca de 15 anos, a função de Secretário-Geral da Feira. Foi também em 1995 que foi criada a Associação Feira Nacional do Cavalo, da qual sou fundador cujo Presidente da Câmara na altura teve um papel preponderante. Por este e outros factos sinto-me de consciência tranquila porque defendo continuadamente a tradição do certame.

 

Durante dez dias, a Golegã recebe um volume extraordinário de visitantes, criadores, cavaleiros e agentes económicos. Existe uma avaliação rigorosa do impacto económico da Feira, quer no concelho, quer na região? E que estratégia tem o município para transformar esta concentração de actividade numa fonte de riqueza e emprego que perdure para além de Novembro?

A Feira tem um impacto muito significativo na economia local e regional. Beneficiam a restauração, o alojamento, o comércio, os produtores, os prestadores de serviços e muitas empresas ligadas directa ou indirectamente ao sector equestre.

Durante estes dias, a Golegã ganha uma dinâmica extraordinária, que se estende também aos concelhos vizinhos. É importante reconhecer que este impacto não se mede apenas no número de visitantes, mas também no trabalho e nas oportunidades que gera.

Precisamos, naturalmente, de continuar a melhorar a recolha de dados para conhecer com maior rigor o impacto económico da Feira e perceber onde podemos criar ainda mais valor. A nossa abordagem é simples: medir para decidir. Temos procurado recolher o maior número possível de dados que nos permitam compreender melhor a realidade, avaliar os resultados e fundamentar as decisões futuras.

A nossa preocupação é que essa riqueza não se esgote em novembro. Queremos que quem nos visita regresse ao longo do ano, que os nossos negócios tenham actividade durante mais meses e que a notoriedade da Feira ajude a criar emprego e oportunidades duradouras no concelho.

 

O cavalo Puro-Sangue Lusitano conquistou uma projecção internacional assinalável, com mercados e compradores em diferentes continentes. Sendo a Golegã uma das principais montras desta fileira, que papel pode a autarquia desempenhar na afirmação internacional da raça, na captação de investimento e na criação de melhores condições para criadores, empresas e profissionais do sector?

A Golegã tem uma responsabilidade especial, porque é um dos grandes pontos de encontro do mundo equestre e uma montra privilegiada do Cavalo Lusitano.

A autarquia pode ajudar a criar condições para que criadores, associações, empresas e profissionais desenvolvam o seu trabalho, promovendo eventos, formação, competições e contactos com mercados internacionais. Pode também contribuir para reforçar a visibilidade internacional da raça, aproveitando a projeção da Feira Nacional do Cavalo e a actividade equestre desenvolvida no concelho ao longo do ano.

Mas é importante perceber que o sucesso do Lusitano pertence, antes de mais, aos criadores, aos cavaleiros, aos tratadores e a todos os profissionais que trabalham diariamente para valorizar a raça.

O nosso papel é apoiar, aproximar entidades e promover o território. Queremos que quem vem à Golegã para conhecer o cavalo descubra também as condições que temos para acolher iniciativas, investir e desenvolver actividade económica ligada ao sector. Equipamentos como o Hippos Golegã e a realização regular de competições equestres são importantes neste objectivo, criando condições para atrair praticantes, profissionais e visitantes para além do período da Feira.

A afirmação internacional constrói-se com qualidade, trabalho e cooperação. A Golegã quer continuar a fazer parte desse caminho.

 

O crescimento da Feira coloca também dificuldades a uma vila com uma dimensão urbana relativamente reduzida. Mobilidade, estacionamento, segurança, limpeza, alojamento e circulação de pessoas e animais são desafios recorrentes. Que problemas continuam por resolver e que medidas concretas estão previstas, nesta edição e nos próximos anos, para melhorar as condições de quem visita, trabalha e, sobretudo, vive na Golegã?

Seria pouco sério dizer que uma vila com a dimensão da Golegã consegue receber um evento desta escala sem dificuldades. Temos limitações de espaço e, durante a Feira, a população aumenta extraordinariamente.

A mobilidade, o estacionamento, a circulação de pessoas e animais, a limpeza urbana, a segurança e o bem-estar de quem vive na vila exigem uma preparação muito cuidada.

Todos os anos procuramos melhorar procedimentos e encontrar soluções. A organização dos parques de estacionamento, a articulação entre os serviços, a segurança e a gestão dos espaços são aspectos a que damos particular atenção. A dimensão do evento obriga-nos a rever continuamente a forma como organizamos os diferentes espaços e gerimos os fluxos de visitantes, procurando reduzir constrangimentos e garantir melhores condições de circulação.

Mas também quero deixar uma ideia clara: a Feira é um motivo de orgulho, e os nossos residentes têm de ser respeitados. A vida da população não pode ser esquecida durante o evento. É fundamental que os moradores tenham informação atempada sobre os condicionamentos e as regras de acesso, e que as suas necessidades sejam consideradas no planeamento da Feira.

O desafio é encontrar o equilíbrio entre receber bem quem nos visita e garantir que quem vive na Golegã continua a ter condições para o seu dia a dia. É um trabalho contínuo, que exige planeamento, investimento e capacidade para aprender com cada edição.

 

A Golegã é conhecida como Capital do Cavalo, mas essa identidade não deve limitar-se aos dias da Feira. Que estratégia está a ser desenvolvida para afirmar o concelho como destino equestre ao longo de todo o ano? E que papel reserva a equipamentos como o Hippos Golegã, à formação especializada, às competições e ao turismo equestre?

A Golegã não pode ser só a Capital do Cavalo apenas durante dez dias em novembro. O cavalo faz parte da nossa identidade todos os dias, e temos de saber transformar essa realidade numa oportunidade para o concelho durante todo o ano.

Temos equipamentos, conhecimento, tradição, profissionais e condições para acolher competições, estágios, formação e actividades ligadas ao turismo equestre. O Centro de Alto Rendimento de Desportos Equestres – Hippos Golegã tem um papel importante nesta estratégia, assim como as associações, os clubes e os agentes privados que trabalham no sector.

Queremos atrair mais provas e iniciativas, mas também criar motivos para que as pessoas fiquem mais tempo, conheçam o território, utilizem os nossos serviços e regressem. A realização regular de eventos e competições permite trazer à Golegã atletas, equipas, famílias e outros visitantes, criando oportunidades para a hotelaria, a restauração e o comércio local.

O turismo equestre pode ajudar a combater a sazonalidade, criar emprego e dar mais estabilidade aos negócios locais. Para isso, precisamos de trabalhar em conjunto e de promover a Golegã como um destino onde o cavalo se vive durante todo o ano.

 

O concelho dispõe de outros patrimónios de grande relevância, desde o legado literário de José Saramago, na Azinhaga, ao património fotográfico de Carlos Relvas, passando pela Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. Como pretende articular estes diferentes activos numa estratégia turística e cultural integrada, capaz de atrair novos públicos e de distribuir os benefícios pelas três freguesias?

O concelho da Golegã tem muito mais para oferecer do que a Feira, embora seja natural que esta seja a nossa principal referência. Temos património literário, cultural, histórico e ambiental de grande valor, que merece ser mais conhecido.

Na Azinhaga, temos a ligação a José Saramago; na Golegã, o legado extraordinário de Carlos Relvas; e o Paul do Boquilobo representa um património natural que devemos preservar e valorizar.

O desafio é mostrar que estas realidades se complementam. Quem nos visita para conhecer o cavalo pode descobrir a fotografia, a literatura, a natureza, a gastronomia e as tradições locais. Estes recursos permitem construir propostas de visita diversificadas, dirigidas a diferentes públicos e capazes de prolongar a estadia no concelho.

Queremos trabalhar numa lógica de promoção conjunta, envolvendo as freguesias da Golegã, Azinhaga e Pombalinho, e os agentes locais. Isso implica articular a divulgação dos diferentes pontos de interesse, reforçar a ligação entre a oferta cultural, ambiental e turística e envolver quem, no terreno, recebe os visitantes e dinamiza a economia local. O objectivo é distribuir melhor as oportunidades, apoiar a economia local e levar os visitantes a conhecer todo o concelho.

Temos um território pequeno em dimensão, mas muito rico em história e identidade. Queremos continuar a trabalhar para dar a conhecer cada vez melhor esta riqueza, reforçando a promoção do concelho e das suas três freguesias.

 

A projecção nacional e internacional da Feira contrasta com os desafios quotidianos de um concelho de pequena dimensão, nomeadamente a fixação de população, o acesso à habitação, a criação de emprego e a atracção de investimento. Quais considera serem hoje os principais obstáculos ao desenvolvimento da Golegã e que respostas concretas está o município a preparar para os ultrapassar?

Um dos nossos maiores desafios é garantir que a Golegã seja um bom lugar para viver, sobretudo para os mais jovens e para as famílias que querem construir aqui o seu futuro.

Estamos a criar condições para fixar população, como facilitar o acesso à habitação, apoiar o emprego e tornar o concelho mais atractivo para quem quer investir e desenvolver uma actividade económica.

Temos a vantagem de possuir uma identidade muito própria, uma localização interessante e uma marca reconhecida nacional e internacionalmente. Mas isso, por si só, não chega. Temos de transformar essas vantagens em oportunidades concretas para as pessoas.

O Município está a criar condições, a apoiar iniciativas, a trabalhar com as empresas e a procurar soluções em articulação com o Estado e outras entidades. A habitação, a qualificação dos espaços públicos, os serviços de proximidade e a dinamização económica têm de fazer parte dessa preocupação.

Quero uma Golegã onde os jovens não sintam que têm de sair por falta de oportunidades e onde as famílias encontrem condições para viver com qualidade. É por aí que devemos medir o nosso desenvolvimento.

 

Aproximamo-nos do primeiro aniversário do actual mandato autárquico. Que balanço faz deste período à frente da Câmara Municipal? Quais foram as decisões mais importantes já tomadas e, sobretudo, que projectos estruturantes, investimentos ou obras poderão os munícipes ver concretizados até ao final do mandato?

Este primeiro período de mandato tem sido, acima de tudo, um tempo de contacto com as pessoas, de conhecimento das necessidades do concelho e de definição de prioridades. Aliás, assim tem sido desde o mandato anterior e assim continuará a ser neste segundo mandato.

Para mim, governar uma Câmara Municipal não é estar apenas no gabinete. É ouvir as pessoas, perceber os problemas concretos e procurar respostas, mesmo quando nem tudo se resolve tão depressa como gostaríamos.

Temos de gerir os recursos disponíveis com responsabilidade, definir prioridades e garantir que cada investimento corresponde a uma necessidade real da população.

Até ao final do mandato, queremos continuar a trabalhar em áreas essenciais como a melhoria do espaço público, os equipamentos municipais, a habitação, a mobilidade, a dinamização económica e a valorização do património equestre e cultural. Na habitação, por exemplo, estamos a avançar com a reabilitação de fogos municipais e com a construção de novas soluções habitacionais, procurando dar resposta às necessidades das famílias do concelho.

Não quero anunciar obras apenas para criar expectativas. Os projectos têm de estar devidamente preparados, enquadrados financeiramente e ser executáveis. Prefiro assumir compromissos realistas e prestar contas sobre aquilo que efectivamente conseguimos concretizar.

No final, o que importa é que os munícipes sintam que o concelho está a avançar e que a Câmara está próxima das pessoas, disponível para ouvir e empenhada em resolver problemas.

 

Olhando para a próxima década, que Golegã gostaria de ajudar a construir? Que transformações considera indispensáveis para que o concelho consiga preservar a identidade que o distingue, mas seja também um território mais atractivo para viver, trabalhar e investir? E qual é o projecto que gostaria de deixar como marca da sua presidência?

Gostaria de ajudar a construir uma Golegã que preserve aquilo que a torna única, mas que, ao mesmo tempo, ofereça melhores condições de vida às pessoas.

Quero um concelho onde a tradição e a modernidade caminhem juntas, onde o cavalo continue a ser uma referência internacional, mas onde também haja oportunidades de emprego, habitação, investimento e melhores perspectivas para os nossos jovens.

Quero uma Golegã que valorize as suas três freguesias, que cuide do seu património, que respeite o ambiente e que saiba aproveitar as suas potencialidades sem perder a proximidade que caracteriza a nossa comunidade.

A Feira Nacional do Cavalo é uma enorme responsabilidade e um património que temos de preservar. Mas a nossa missão enquanto autarcas vai muito além da Feira. É trabalhar todos os dias para melhorar a vida das pessoas, apoiar as famílias e preparar o concelho para o futuro.

Quanto à marca que gostaria de deixar, não a vejo numa obra ou num projecto isolado. Gostaria que, no final do mandato, as pessoas sentissem que a Golegã ficou melhor, que houve mais oportunidades, que os serviços responderam às suas necessidades e que conseguimos valorizar o nosso património sem esquecer quem cá vive.

A Feira da Golegã tem uma história e uma identidade próprias, reflectidas nas designações por que é conhecida: Feira de São Martinho, Feira Nacional do Cavalo e Feira Internacional do Cavalo Lusitano.

Só as mentalidades mais tacanhas não percebem a evolução dos momentos e não entendem da sustentabilidade deste certame verificada nos últimos anos contrariando o que acontecia antes do ano de 2021.

No fundo, quero uma Golegã de que todos se orgulhem, não apenas quem nos visita, mas sobretudo quem aqui vive todos os dias.

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