A festa da Ascensão assinala a Ascensão de Jesus ao Céu. É uma festividade ecuménica, festejada por outras igrejas cristãs, tal como acontece com as celebrações da Semana da Paixão, a Páscoa e o Pentecostes. Na Igreja Católica é conhecida também como Solenidade da Ascensão do Senhor e é tradicionalmente celebrada quarenta dias após a Ressurreição de Cristo. Lá nos lembra o povo que “Da Páscoa à Ascensão quarenta dias vão”!
Alguns costumes ou rituais deste dia estão ligados à liturgia da festa, como a bênção dos grãos e das uvas depois da comemoração dos mortos no Cânone da Missa, a bênção dos primeiros frutos, realizada também nos “dias de rogação”, a bênção da vela, o uso de mitras por diáconos e subdiáconos, o apagamento do Círio Pascal e as procissões triunfais com tochas e faixas atravessando comunidades para celebrar a entrada de Cristo no céu.
Designado popularmente por quinta-feira da Espiga este dia é celebrado com rituais e tradições que assumem um carácter universal, independentemente de algumas especificidades locais. Depois que, em 1952, deixou de ser considerado feriado nacional, muitos municípios escolheram esta data para assinalar o feriado municipal, e assim permitem ao povo do seu concelho desfrutar esta festividade tão carregada de simbolismo nos concelhos rurais.
A tradição mais comum é a que se relaciona com a colheita do ramo de espiga, ao qual são atribuídos “poderes de virtude benfazeja”, constituído por espigas de trigo, raminhos de oliveira, papoilas, malmequeres brancos e malmequeres amarelos, guias de videira e rosmaninho – sempre em número ímpar em relação a cada um destes elementos, mais habitualmente, sete.
Colhido o ramo, de preferência entre o meio-dia e a uma hora, devem rezar-se três avé-marias e três pais-nossos, sendo que em certas zonas do Alentejo, respeitando-se a sacralidade deste momento, considerado o tempo mais benéfico, colhem-se cinco espigas de trigo, cinco folhas de oliveira e o maior número possível de flores silvestres brancas e amarelas. Enquanto se procede à colheita das flores, rezam-se cinco avé-marias, cinco pais-nossos e cinco gloria patri, “para nesse ano haver em casa trigo, azeite, ouro e prata”. Essencialmente, fazem-se votos para que não falte no lar da família a alimentação, o vinho, a paz, a alegria, a harmonia e a saúde.
O ramo de espiga guarda-se dentro de casa, por vezes atrás da porta ou junto de uma imagem religiosa, aí se conservando até ao ano seguinte, quando for substituído pelo novo ramo, servindo de talismã com “virtudes de protecção e esconjuro”.
O dia da espiga era também o “dia da hora” e considerado “o dia mais santo do ano”, durante o qual não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava. Dizia-se nas aldeias do sopé da Serra do Montejunto que “na quinta-feira da espiga há uma hora em que os pássaros não vão aos ninhos, as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha e o pão não leveda”. Era também nessa hora que se deviam colher as ervas medicinais.
Em dias de trovoada era hábito queimar-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.
Naturalmente, neste dia de guarda, num tempo em que os trabalhos nos campos eram mais escassos, camponeses e pescadores não trabalhavam. De manhã faziam-se os preparativos para a merenda e pela tarde, numa zona aprazível do campo, e depois de apanhado o ramo da espiga, rapazes e raparigas merendavam enquanto algum tocador mais divertido ia tocando umas modas, num roufenho harmónio ou num pífaro de cana e logo se armava um bailarico. Entre os pescadores do Tejo era hábito deitar um lanço de rede para pescar algum peixe que haveria de servir para o lanche da família e dos amigos, seguindo-se, igualmente, um bailarico entre a mocidade.
