A corrida nocturna de terça-feira, dia 6 de Outubro, tradicionalmente conhecida como de Exaltação ao Forcado Vilafranquense, quase esgotou a lotação da emblemática Praça “Palha Blanco”. E convenhamos que o caso não era para menos, pois Carlos Pereira transferia o ceptro do comando do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca a Rodrigo Dotti. E, nestas coisas a afición vila-franquense não costuma falhar!
Viveu-se uma noite de grandes emoções com toiros de Veiga Teixeira sérios e exigentes, daqueles que põem tudo e todos no seu devido lugar. Os toiros que foram lidados nesta noite foram daqueles que enchem as medidas ao ganadeiro, mas pediram muitas contas aos toureiros e aos forcados que tiveram de os enfrentar. Toiros sérios, quatreños, a transmitir emoção às bancadas, tendo o representante da ganadaria sido chamado à arena após a lide do quinto toiro, superiormente lidado por João Moura Júnior.
Numa crónica pouco detalhada desta agradável corrida poderá dizer-se que, de facto, houve um triunfador absoluto, que foi o jovem António Prates, referenciado já como uma nova coqueluche de Vila Franca – e não é fácil conquistar este estatuto. Vila Franca rende-se à categoria dos Ribeiro Telles, desde há alguns anos aos manos João e Miguel Moura, mas agora parece ter-se rendido também a este jovem marialva que nesta temporada ali brilhou com grande fulgor.
João Salgueiro terminou aqui a marcante temporada do seu saudado regresso às arenas. Desta feita não logrou repetir o sucesso alcançado no Colete Encarnado, posto que o seu primeiro oponente foi um toiro reservado, tardo na investida. Não foi fácil, mas Salgueiro lidou-o com valor e com determinação, numa lide de grande superação, de maestria e de experiência. Lide de valor que não foi bem entendida pelo Director de Corrida…
No quarto toiro da noite, um toiro sério e muito exigente, João Salgueiro alardeou competência e empenho, mas talvez acusando o desgaste da corrida de Zafra, não atingiu os níveis técnicos e artísticos que lhe são peculiares, consentindo até demasiada intervenção dos seus prestáveis peões-de-brega, Diogo Malafaia e Cláudio Miguel… E o público não apreciou.
João Moura Júnior esteve em plano de excelência na lide do quinto toiro, o melhor do “encierro”, depois de no segundo da noite apenas ter picado o ponto, pois o hastado não lhe deu hipóteses de sacar a lide que quer próprio quer o público tanto gostariam. No quinto, a conversa foi outra. O toiro era sério, transmitia, incomodava, mas era nobre, e João Moura Júnior aproveitou-o superiormente, culminando em grande plano a sua memorável temporada. Cravou a ferragem em sortes tremendas, provocando um frisson nas bancadas, pois não há quem fique indiferente a sortes desta dimensão estética e de tanto risco. Escutou música e deu aplaudida volta à arena com o forcado, tendo ambos sido acompanhados pelo maioral da ganadaria Veiga Teixeira.
Frente a toiros exigentes, António Prates impôs a força da sua vontade, a raça do seu toureio, a ousadia e a verdade da sua tauromaquia, pisando os terrenos do toiro, arriscando e emocionando o respeitável. Rubricou duas lides distintas, mas ambas com um denominador comum – o respeito pelas regras do toureio equestre, sem concessões popularuchas e sem lides ensaiadas em casa. António Prates lidou os dois toiros como eles tinham de ser toureados, bregando adequadamente, colocando a ferragem “en su sitio” e recriando-se em bonitos adornos a ladear, consoante as investidas de cada um. Triunfo incontestável!
Esta foi, como manda a tradição, a noite de Exaltação ao Forcado Vilafranquense, com a emoção acrescida da mudança de Cabo. Vasco Pereira, um dos mais valorosos forcados da sua geração e um Cabo de excelência, passou o testemunho a um jovem forcado de dinastia, Rodrigo Dotti, de quem se esperam igualmente grandes cometimentos.
Rodrigo Andrade pegou, à primeira tentativa, o primeiro Teixeira da noite, um toiro poderoso e exigente, com uma muito eficaz primeira-ajuda do novo Cabo Rodrigo Dotti, que o acompanhou merecidamente na volta à arena.
Lucas Gonçalves, experiente e poderoso forcado, consumou a sua sorte à segunda tentativa, bem ajudado pelo Grupo.
A terceira pega da noite foi a última de Vasco Pereira, consumada superiormente ao primeiro intento, com a classe e a técnica habituais, muito bem ajudado pelos companheiros. Deu uma volta à arena com o cavaleiro António Prates, ambos muito aplaudidos, depois entregou a jaqueta ao seu sucessor Rodrigo Dotti e deu mais uma volta à arena sozinho, com o público de pé a despedir-se calorosamente de um grande Cabo do Grupo de Vila Franca. Obrigado, Forcado!
Vasco Carvalho pegou com brilhantismo o quarto toiro da corrida, ao segundo intento, depois de sofrer um derrote violento na primeira tentativa. Ajudas eficientes de todos os companheiros asseguraram o sucesso da pega na segunda intervenção.
Para pegar o quinto toiro saltou à arena o consagrado Guilherme Dotti, a quem desta vez as coisas não correram de feição. Só consumou a pega à quarta tentativa, com uma valorosa e decisiva primeira-ajuda do valente Diogo Sousa, que é uma revelação desta temporada. Rabejou esta toiro o carismático Carlos Silva, forcado já retirado e que reapareceu por uma noite mostrando que quem sabe, jamais esquece.
Rodrigo Camilo consumou uma excelente pega ao último toiro da noite, muito bem ajudado por Rodrigo Dotti, que pela segunda vez nesta noite deu volta à arena, marcando assim de forma gloriosa a sua estreia como 19.º Cabo do Grupo de Vila Franca.
A corrida foi dirigida com acerto por Ruben Fragoso, assessorado pelo médico veterinário José Luís da Cruz.
