Abril volta a sair à rua para celebrar os 52 anos da Revolução que marcou a história de Portugal. Mas os tempos não estão fáceis.

Sem militares na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, com a porta de armas entregue a uma associação empresarial, ainda sem museu, falta cumprir em muitas frentes os “Valores Universais” de Abril.

Salgueiro Maia será sempre recordado, é certo, fala-se até que possa vir a dar o nome à futura Universidade Politécnica do Ribatejo (a esta, talvez lhe assentasse melhor o nome do Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, mas ainda é cedo para estas conjecturas), mas Abril será sempre um estado de espírito, um olhar por um amanhã mais plural e justo.

Na passada semana, o Jornal Expresso deu conta de que o Centro Interpretativo da Revolução dos Cravos já não irá para as instalações do Ministério da Administração Interna (MAI) no Terreiro do Paço por decisão deste governo, indo contra a decisão tomada por um dos governos de António Costa. Fala- se agora no quartel da Pontinha, onde se encontra o edifício do posto de comando do Movimento das Forças Armadas.

Segundo o Expresso o processo está bloqueado porque o Governo não cedeu o espaço previsto para a sua instalação. E é pena que o esteja, porque será sempre importante que as novas gerações possam conhecer um dos momentos mais felizes da nossa História.

Terá, certamente, o Presidente da República uma importante palavra no desbloquear desta matéria, tornando possível, num espaço condigno, a abertura ao público deste Centro Interpretativo do 25 de Abril de 1974, 52 anos depois.

Por cá, no berço da Democracia, o impasse também se mantem com o Museu de Abril e dos Valores Universais a continuar à espera, depois de apresentado, em 2023, à Associação 25 de Abril.

Reconhecido por todos como de elevada relevância histórica e civil, num contexto particularmente crítico para as democracias e os valores humanos, o MAVU centra-se na necessidade de contribuir para a reflexão sobre os valores universais e os direitos humanos que em Portugal sustentaram as ideias liberais, o republicanismo e a implantação da República, bem como os que estão na base do 25 de Abril.

Pretende também desenvolver um trabalho com a comunidade envolvente, centrada em torno das questões da participação, da liberdade e da cidadania e realçar o papel de Santarém e da Escola Prática de Cavalaria no contexto da defesa da democracia, dos valores universais e dos direitos Humanos, assim como criar uma nova centralidade na cidade de Santarém, potenciando um espaço museológico vivo e vivido, local de encontro e de exercício de cidadania. Na teoria será assim, só falta mesmo o Homem querer.

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