A instabilidade das barreiras de Santarém é um problema antigo, antiguidade essa bem patente nas páginas centenárias deste Jornal que já cruzou três séculos. Sempre que Invernos mais rigorosos nos batem à porta, regressam as visitas ministeriais para constatar que o tempo passa, mas o problema persiste.

Este ano foi o deslizamento da encosta que segura o parque de estacionamento do Miradouro de Atamarma, no centro histórico, onde parte do muro de sustentação colapsou para as barreiras do planalto, obrigando à retirada de viaturas e a novo encerramento da descida para a ponte D. Luís. Também a Estrada do Alfange ficou interdita ao trânsito automóvel e pedonal após um deslizamento ocorrido no talude da encosta das Portas do Sol, ameaça constante à Linha do Norte.

A cidade tem vindo a perder terreno devido às sucessivas derrocadas. “Segurar” essa terra não está fácil nem será barato. Serão necessárias candidaturas a financiamentos nacionais, uma vez que se trata de um investimento muito considerável.

É aqui que todas as forças políticas, nomeadamente os deputados eleitos para nos representarem em Lisboa, deverão estar em sintonia sem a preocupação comezinha de empurrar para os outros a existência deste grave problema sem fim à vista.

Os deslizamentos de terra causaram danos significativos em Santarém, e é necessária uma intervenção célere para prevenir futuros desastres e proteger a população e o património histórico de Santarém. Há que priorizar a segurança e o bem-estar da população em detrimento de interesses políticos e económicos que trazem burocracia e o consecutivo adiamento na resolução do problema maior que exige ser encarado de frente, envolver a comunidade e os especialistas na busca de soluções para o problema.

A situação exige uma enorme capacidade de entendimento e compromisso entre os mais diversos níveis institucionais do Estado. O constante adiamento no tomar de decisões a sério (têm-se ‘apagado alguns fogos’) coloca populações e infra-estruturas em risco sempre que ocorrem intempéries mais intensas. Monitorizar as barreiras permanentemente é importante, um Plano Global de Estabilização das Encostas de Santarém é fundamental, mas se ficarmos mais uma vez por aqui, sem obras no terreno, estaremos sempre por cá para constatar o óbvio, leia-se novas derrocadas em Invernos mais rigorosos.

O desafio é estrutural e com escala nacional no capítulo das ajudas necessárias que permitam trazer estabilidade às encostas de Santarém.

Dispensam-se aproveitamentos políticos porque o problema, para além de urgente (há cem anos…) é suprapartidário. Instabilidade nas barreiras já temos de sobra. Queremos estabilidade nas ajudas.

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