A Câmara de Alpiarça contestou junto da Infraestruturas de Portugal (IP) os trabalhos de repavimentação realizados recentemente na EN118, lamentando que a intervenção efetuada tenha ficado aquém das necessidades identificadas pelo município, confirmou a autarquia à Lusa.
Na reunião do executivo municipal, a presidente da Câmara de Alpiarça, Sónia Sanfona, considerou “miserável” a recente intervenção realizada pela IP na Estrada Nacional 118 (EN118), afirmando que a autarquia já contestou os trabalhos executados e alertando que não existe previsão de novas obras na via durante este ano.
“O trabalho que foi ali feito é miserável”, afirmou Sónia Sanfona, sustentando que a autarquia tem vindo a alertar a IP para os problemas existentes na estrada e para a necessidade de uma intervenção mais abrangente.
Segundo a presidente da Câmara, o município realizou um levantamento das necessidades ao longo do troço, incluindo problemas relacionados com o estado do pavimento e com a gestão das árvores junto à via, e remeteu essa informação à IP.
A autarca referiu que a Câmara identificou diversas zonas que necessitavam de reparação, onde existem desníveis no pavimento que afetam a circulação rodoviária.
Sónia Sanfona afirmou que os técnicos da IP chegaram a deslocar-se ao local para verificar algumas das situações sinalizadas pelo município, mas lamentou que a intervenção realizada tenha ficado aquém das necessidades identificadas.
“Quando nós verificámos o que é que efetivamente tinha sido feito, manifestámos a nossa inconformidade com as opções que foram tomadas”, declarou.
A autarca alertou ainda para questões de segurança rodoviária, defendendo que uma estrada com o volume de tráfego da EN118, incluindo veículos pesados e transportes de matérias perigosas, exige condições adequadas de circulação.
Além do estado do pavimento, a presidente apontou problemas relacionados com a manutenção das árvores que ladeiam a via, referindo que continuam a existir ramos secos e situações de risco para o trânsito.
Sónia Sanfona explicou que a reivindicação de melhorias na EN118 tem sido apresentada quer diretamente à Infraestruturas de Portugal, quer através da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), no âmbito de uma estratégia mais ampla que inclui também a construção de uma nova travessia do Tejo na Chamusca e o desenvolvimento do IC3.
Segundo a autarca, numa reunião recente da CIMLT foi transmitido aos municípios que a IP não dispõe de verbas para novas intervenções na EN118 durante este ano.
“Aquilo que nos foi transmitido via reunião da CIM foi que para este ano já não há verba para fazer intervenção nenhuma”, afirmou.
Relativamente ao IC3, Sónia Sanfona indicou que o Governo terá avançado com o procedimento para a elaboração do projeto de execução de um novo traçado, mas advertiu que a concretização da infraestrutura ainda deverá demorar vários anos.
“Na melhor das hipóteses”, estimou, poderão ser necessários cerca de oito anos para que a via esteja concluída, prazo que poderá aproximar-se dos dez anos.
A presidente da Câmara acrescentou que também não recebeu garantias do Governo quanto aos prazos de construção de uma nova travessia rodoviária sobre o Tejo na zona da Chamusca, uma reivindicação antiga dos municípios da região.
Apesar da perspetiva de futuras alternativas à EN118, Sónia Sanfona defendeu que os problemas atuais da estrada não podem ser ignorados e considerou que a pressão dos municípios sobre as entidades responsáveis deverá continuar.
“Temos estado naturalmente a acompanhar este processo com alguma insistência e com alguma preocupação também”, afirmou.
