A Associação do Fado de Santarém apresentou-se oficialmente no Museu do Fado, em Lisboa, numa cerimónia que reuniu intérpretes e músicos da região e ficou marcada pela disponibilidade manifestada pelo vice-presidente da Câmara Municipal, Emanuel Campos, para acolher na cidade um pólo descentralizado daquele equipamento cultural durante as obras de requalificação. Presidida por Nuno Pelarigo, filho do fadista António Pelarigo, a associação pretende preservar a tradição fadista, promover novos intérpretes e aproximar o fado das gerações mais jovens, através de projectos que incluem uma escola de fado, iniciativas nos estabelecimentos de ensino e a organização de espectáculos e festivais.

O Museu do Fado, em Lisboa, acolheu, no passado dia 14 de Outubro, a apresentação oficial da Associação do Fado de Santarém, numa iniciativa que procurou dar maior visibilidade ao trabalho desenvolvido no concelho em torno de uma expressão musical profundamente ligada à história e à cultura portuguesas. A sessão reuniu artistas da região, representantes institucionais e personalidades ligadas ao fado, constituindo também uma oportunidade para apresentar os projectos da associação e estabelecer novas possibilidades de colaboração cultural.

O momento ficou marcado pelo anúncio do vice-presidente da Câmara Municipal de Santarém, Emanuel Campos, que manifestou a disponibilidade da autarquia para receber um pólo descentralizado do Museu do Fado durante o período de obras de requalificação daquele espaço, situado no bairro de Alfama, em Lisboa.

“Por isso, aproveitei este momento para manifestar a disponibilidade de Santarém acolher, durante as obras de requalificação do Museu do Fado, um polo descentralizado deste importante espaço cultural”, afirmou Emanuel Campos.

A iniciativa enquadra-se na intenção manifestada pelo executivo municipal de reforçar a ligação da cidade ao património fadista, valorizando tanto os intérpretes que marcaram a história local como aqueles que procuram dar continuidade à tradição.

“Santarém tem Fado, tem fadistas, tem músicos e tem histórias que merecem ser contadas”, sublinhou Emanuel Campos, defendendo o reconhecimento de uma expressão cultural que também integra a identidade do concelho.

O autarca destacou igualmente o papel da nova associação na preservação desta herança, considerando que a entidade merece reconhecimento pela vontade de “preservar, divulgar e, sobretudo, levar às novas gerações uma expressão cultural que também faz parte da identidade da nossa terra”.

“Queremos continuar a criar pontes, abrir portas e afirmar Santarém como um verdadeiro território de Fado”, acrescentou o vice-presidente, concluindo que “o Fado também se canta, toca e sente em Santarém”.

Uma associação para preservar e transmitir o fado

Presidida por Nuno Pelarigo, também ele intérprete de fado, a Associação do Fado de Santarém pretende congregar músicos, fadistas e outros agentes culturais em torno de um projecto de valorização e divulgação do género musical no concelho.

A apresentação pública no Museu do Fado constituiu um momento de afirmação institucional de uma entidade que tem vindo a desenvolver diferentes iniciativas destinadas a dinamizar a actividade fadista e a aproximá-la de novos públicos.

Entre os seus principais projectos encontram-se o programa “Levar o Fado às Escolas”, a Escola de Fado, o Festival do Fado de Santarém e a Gala do Fado António Pelarigo, iniciativas que procuram articular a formação de novos intérpretes, a realização de espectáculos e a preservação da memória de figuras ligadas à tradição fadista da região.

A componente educativa assume particular importância nesta actividade. Através do programa “Levar o Fado às Escolas”, a associação procura proporcionar às crianças e aos jovens um primeiro contacto com este género musical, dando-lhes a conhecer a sua história, os instrumentos que o acompanham e o papel que ocupa na cultura portuguesa.

A Escola de Fado constitui outra das vertentes do projecto, orientada para a aprendizagem e transmissão de conhecimentos musicais. A iniciativa pretende contribuir para o aparecimento de novos intérpretes e para a continuidade de uma tradição que depende também da passagem de saberes entre gerações.

No plano da programação cultural, o Festival do Fado de Santarém procura proporcionar oportunidades de apresentação a artistas da região e convidados, contribuindo para manter uma actividade regular em torno do género musical. A par desta iniciativa, a Gala do Fado António Pelarigo assume uma dimensão de homenagem, perpetuando a memória de um dos nomes associados à tradição fadista de Santarém.

O conjunto de projectos traduz a intenção de não limitar a actividade associativa à realização pontual de espectáculos, procurando criar condições para a formação, divulgação e continuidade do fado no território.

Uma herança que atravessa gerações

A ligação de Nuno Pelarigo ao fado tem também uma dimensão familiar. O presidente da associação é filho de António Pelarigo, fadista natural das Caneiras, em Santarém, que morreu a 16 de Janeiro de 2018, aos 64 anos, depois de uma carreira de mais de quatro décadas dedicada à interpretação do fado.

Nascido numa família de pescadores avieiros, António Pelarigo cresceu junto ao Tejo e começou a cantar ainda jovem. Embora tenha desenvolvido várias actividades profissionais ao longo da vida, manteve uma ligação permanente ao fado, actuando em tertúlias, casas de espectáculo e encontros de fadistas.

Em 1994 gravou o disco “Xaile Negro” e, duas décadas depois, lançou um novo trabalho discográfico, produzido por José Cid, que reuniu composições de autores como Rosa Lobato de Faria, Paulo de Carvalho, Maria Manuel Cid e do próprio músico.

Em Outubro de 2014, assinalou os 40 anos de carreira com um espectáculo no Convento de São Francisco, em Santarém, acompanhado por José Cid e João Ferreira-Rosa. O concerto viria a ser editado em CD e DVD, numa homenagem apresentada em Junho de 2018 no Museu do Fado, em Lisboa, poucos meses depois da sua morte. 

O percurso do fadista, que partilhou experiências musicais com figuras como Amália Rodrigues, Carlos Zel e João Ferreira-Rosa, mantém-se ligado à memória cultural de Santarém e encontra agora uma nova expressão na actividade da associação presidida pelo filho.

A Gala do Fado António Pelarigo pretende precisamente preservar esse legado, associando a homenagem ao intérprete à divulgação de outros artistas e à continuidade de uma tradição que marcou diferentes gerações de músicos e públicos da região.

Fadistas da região deram voz à apresentação em Lisboa

A sessão realizada no Museu do Fado teve também uma componente musical, com a participação de intérpretes e instrumentistas ligados a Santarém e à região, proporcionando uma demonstração do trabalho desenvolvido pelos artistas que integram o movimento fadista local.

Nuno Pelarigo, Filipe Garcia, Madalena Gil, Diogo Ferreira, Filipa Maltieiro e Célia Leiria estiveram entre as vozes que participaram no espectáculo, interpretando temas do repertório fadista ribatejano.

A componente instrumental contou com Pedro Amendoeira e Diogo Ferreira na guitarra portuguesa e Carlos “Cajé” Garcia e Ginestal Martins na viola, de acordo com o programa divulgado pelo Museu do Fado. 

A apresentação contou ainda com a participação do fadista Nuno da Câmara Pereira, padrinho da Associação do Fado de Santarém, que se associou à iniciativa e interpretou alguns dos temas mais conhecidos do seu repertório.

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