Foto de Arquivo
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Aurélio Lopes vai lançar o livro “De Atégina a Maria; O sagrado feminino no território português”, no próximo dia 26 de Junho, pelas 16h00, na Casa Pedro Álvares Cabral/Casa do Brasil, em Santarém.

A obra que vai ser apresentada por João Brigola e por José Manuel Garcia, e conta com o apoio da Câmara de Santarém, fala “Do período proto-histórico” (…) em que surgem, “no território hoje português, divindades femininas que se evidenciam como elementos determinantes das respectivas cultualidades”.

O antropólogo Aurélio Lopes, explica que “com a implantação do Cristianismo tudo, isto, há de mudar. E a especial vocação da mulher para a área do sagrado, será sujeita a um corpo de interdições contra-natura que a afastarão das funções transcendentais oficiais e institucionais. Num processo milenar, longo e turbulento, feito de prescrições e proibições, castigos e estigmatizações que, afastarão a mulher do sagrado prestigiado e constrangerão, fortemente, o popular”.

Aurélio Lopes elucida que com esta obra “criar-se-á, assim, uma situação peculiar: uma religião centrada no poder masculino, que é feita contactar secularmente com sociedades em que a mulher desempenha tradicionalmente papel preponderante e, através das respectivas massas devotas, sofre uma intensa e continuada pressão cultual (na procura dos elementos devocionais que lhe são habituais) que, dirigida às entidades femininas do respectivo panteão cristão e especialmente à Mãe de Deus, há de criar, com o tempo, as condições qualitativas e quantitativas, que a hão de impor, na prática, como divindade superior do universo cristão. De que Fátima é exemplo concludente. A Mãe vai de novo absorver o Filho. E remetê-lo para as formalidades canónicas e doutrinárias; pouco propensas à relação devocional”.

O autor é professor do Ensino Superior, doutorado em Antropologia Cultural pelo ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Humanas. Coordenador do Fórum Ribatejo e das colecções Raízes e Antropologia da Editora Cosmos.

Aurélio Lopes tem-se debruçado sobre a cultura tradicional, especialmente no que respeita à Antropologia do Sagrado e às suas representações simbólicas e festivas, práticas tradicionais culturais e cultuais, nomeadamente no que concerne à religiosidade popular e às suas relações sincréticas com raízes ancestrais e influências mutacionais modernas.

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