O presidente da Câmara de Coruche e alguns vereadores manifestaram reservas quanto à criação de uma plataforma empresarial com mais de 1.500 hectares em Santarém, considerando que pode não responder às necessidades dos concelhos mais próximos do futuro aeroporto.
A proposta foi aprovada por unanimidade pelos 11 municípios que integram a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), incluindo Coruche, e prevê a instalação de uma plataforma empresarial no norte de Santarém, próxima da autoestrada A1 e da área de serviço de Santarém, aproveitando trabalho anteriormente desenvolvido no âmbito de uma proposta privada para a construção do novo aeroporto naquela zona.
O presidente da Câmara de Coruche sustentou, na última reunião de câmara, que esta solução não responde às necessidades dos municípios mais próximos do futuro aeroporto de Lisboa, previsto para o Campo de Tiro de Alcochete, devido à distância, estimada entre 70 e 80 quilómetros, adiantando que a CIMLT pretende estudar a criação de áreas empresariais nesses concelhos.
Questionado pelos vereadores sobre o voto favorável, o autarca disse ter apresentado uma declaração de voto na qual assinalou que o projeto não serve diretamente os interesses de Coruche, Salvaterra de Magos e Benavente, defendendo a criação de áreas empresariais próprias nestes três concelhos.
A aprovação, explicou, decorreu da necessidade de “defender a candidatura da comunidade intermunicipal” e de manter um “princípio de solidariedade” entre os 11 municípios da Lezíria do Tejo.
“Tem de haver aqui dois critérios, duas formas de desenvolvimento”, afirmou, contrapondo o parque empresarial de grande dimensão previsto para a zona de Santarém às áreas necessárias para acolher empresas que procurem instalar-se nas proximidades do futuro aeroporto.
O presidente da Câmara defendeu ainda que Coruche e os restantes concelhos do sul da Lezíria devem receber instrumentos que permitam criar parques empresariais, “simplificar os procedimentos de instalação de empresas” e captar “investimentos associados à nova infraestrutura aeroportuária”.
Segundo o autarca, ficou assumido pela comunidade intermunicipal o compromisso de desenvolver estudos sobre a instalação de áreas empresariais nos concelhos de Coruche, Salvaterra de Magos e Benavente.
Vereadores da oposição contestaram, porém, a votação favorável do presidente da Câmara, considerando que a localização beneficia sobretudo Santarém e os territórios do centro e norte do distrito, sem oferecer vantagens diretas ao sul da Lezíria do Tejo.
O vereador Dionísio Mendes, do movimento Volta Coruche, afirmou não se rever na posição assumida pelo presidente, alegando que não foram apresentadas compensações para Coruche nem para os restantes municípios situados na margem esquerda do Tejo.
“Não me parece que tenham sido defendidos os interesses do nosso município”, declarou, manifestando preocupação por o executivo ter apoiado uma localização que, no seu entender, “não tem nada a ver” com as necessidades empresariais geradas pela proximidade do futuro aeroporto.
O responsável considerou ainda que a localização poderá resultar de uma decisão política, mas não será a mais adequada aos interesses de Coruche, Salvaterra de Magos e Benavente, nem à estratégia nacional associada à construção da nova infraestrutura aeroportuária.
O presidente da Câmara reiterou que a área proposta para Santarém “não dá resposta às necessidades de proximidade ao novo aeroporto”, posição que, segundo afirmou, foi reconhecida pelos restantes municípios e pela entidade responsável pelo estudo dos impactos do projeto aeroportuário.
A eventual localização do parque empresarial será ainda avaliada com base na disponibilidade de terrenos, nas acessibilidades rodoviárias e ferroviárias e na existência de mão-de-obra para responder às necessidades das empresas que ali possam vir a instalar-se.
