Cumprem-se, na próxima segunda-feira (6 de Julho), 25 anos sobre o dia em que assumi a direcção deste Jornal, onde vos escrevo desde 1993, como aconteceu com os dois outros directores que sucederam ao fundador do Jornal, João Arruda, pela pior das razões: o falecimento do meu antecessor, Bernardo de Figueiredo, que recordámos na passada edição.

Este Jornal está cheio de interessantes particularidades. Entre muitas outras, o facto de, apesar dos seus 135 anos de existência, ter contado, entre 1891 e Junho de 2026, apenas com quatro directores, sendo eu o último deles, e, seguindo a “tradição”, até Deus querer…

Passou depressa este quarto de século. Anos difíceis e desafiantes, recheados de peripécias, mas ao mesmo tempo de afirmação de um título que não desiste, nem atira a toalha ao chão à primeira contrariedade.

Como vivemos numa cidade muito peculiar, tive de ouvir, logo nas primeiras semanas (Julho de 2001), que não me aguentaria quatro meses neste prestigiante cargo. Sorri e segui em frente, até hoje. Agradeço a quem acreditou em mim. Falo dos dois tipógrafos que dirigiam o jornal na altura, Mário da Conceição Lopes e Manuel Canelas, este último ainda vivo, que deliberaram, como eles escreveram na edição de 6 de Julho de 2001 num artigo assinado pela gerência, “que a escolha quanto ao futuro Director recaísse num jornalista da casa – João Paulo Narciso – convite que foi aceite pelo próprio” que, “apesar de jovem”, (tinha 35 anos de idade na altura), lhes pareceu a “escolha acertada, já que – tudo o faz prever – é um jovem com um futuro bastante promissor”, lê-se no mesmo artigo em jeito de editorial.

Bondade deles que me entregaram a tarefa de manter vivo um dos títulos da Imprensa Regional mais antigos do país.

Nestes 25 anos que passaram a correr procurei fazê-lo com a máxima dedicação e dignidade. Consegui, até hoje, e apenas por isso aceito a expressão “futuro promissor” que quem apostou em mim utilizou, há 25 anos, quando nesse editorial publicado na primeira página da edição de 6 de Julho de 2001, me apresentaram aos nossos leitores.

Não quis deixar de assinalar a efeméride, nesta coluna semanal, até porque não são todos os dias que se comemoram as bodas de prata de um casamento feliz que tento manter bem sólido.

E porque os jornais não se fazem sem paixão, sozinhos, divido o êxito com quem aqui trabalha comigo, com todos os colaboradores, administradores e, claro está, os leitores, razão de ser deste projecto que já cruzou três séculos desde a sua fundação e onde cabem cinco vezes e mais dez anos, os 25 que eu agora celebro.

Permitam-me que brinde convosco!

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