A Câmara de Alpiarça participou a ocorrência de duas descargas poluentes registadas no último mês na Vala de Alpiarça, que provocaram o aparecimento de peixes mortos, estando agora o processo no Ministério Público, revelou hoje o município.
Segundo a autarquia, a primeira ocorrência foi detetada em 10 de setembro, quando foram encontrados peixes mortos, manchas à superfície da água e odores intensos, levando à intervenção da Proteção Civil, GNR e Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA).
Já este mês, no dia 1, foi registado novo episódio, junto ao Parque de Merendas do Carril, com a água da vala a apresentar uma tonalidade escura e vários peixes observados à superfície.
Ainda de acordo com o município de Alpiarça, a ocorrência foi comunicada ao SEPNA, que encaminhou o processo para o Ministério Público, encontrando-se agora a investigação fora da esfera de atuação direta da autarquia.
“Assim que recebamos alguma indicação do Ministério Público, tomaremos as nossas providências, aquelas que nos forem indicadas”, declarou a presidente do município, Sónia Sanfona, na última reunião de câmara.
A autarca indicou que uma das origens identificadas para a poluição foi uma avaria no sistema de bombagem do saneamento da estação elevatória da empresa Águas do Ribatejo situada na zona industrial, que provocou o enchimento de uma caixa e a consequente descarga de efluentes para a vala.
Sónia Sanfona adiantou que, após a deteção do problema, a empresa reparou a válvula da estação elevatória e da respetiva caixa para impedir novas descargas para o curso de água.
Contudo, acrescentou, o município não consegue controlar “eventuais fontes de poluição localizadas a montante do concelho, nem situações provocadas por entidades externas”.
Paralelamente, o município solicitou à Águas do Ribatejo um conjunto de medidas para reduzir o risco de novas descargas, entre as quais a instalação de sensores nas caixas do sistema de saneamento para permitir a deteção precoce de anomalias e a intervenção antes de ocorrerem derrames.
A presidente explicou também que, mesmo sem a possibilidade de descarga direta para a vala, futuras avarias poderão provocar o transbordo para os terrenos envolventes, razão pela qual considera necessária a adoção de mecanismos de alerta antecipado.
A autarca revelou ainda que a Câmara pediu um estudo para avaliar soluções técnicas capazes de minimizar o risco de novas ocorrências.
Entretanto, acrescentou, o município recolheu água em vários pontos a montante da vala para averiguar a eventual existência de outras fontes de poluição, tendo sido detetados indícios de uma substância com aspeto oleoso à superfície da água, o que levou os serviços municipais e o SEPNA a aprofundar as análises para determinar a sua origem.
A autarca anunciou, por outro lado, que o município está a preparar uma nova candidatura ao Fundo Ambiental para financiar operações de limpeza ao longo do curso de água no concelho e está a avaliar intervenções em pontes e outras infraestruturas afetadas pelas cheias, bem como a eventual aquisição de equipamentos próprios para reforçar as ações de manutenção da vala.
Sónia Sanfona defendeu ainda uma resposta coordenada entre municípios e administração central para a gestão da linha de água, “considerando que os problemas de poluição e manutenção ultrapassam as fronteiras administrativas dos concelhos atravessados pela vala”.
