Um comboio histórico a vapor vai ligar Entroncamento a Tomar, em novembro, com recriações templárias a bordo, numa aposta da CP e parceiros para valorizar o património ferroviário, atrair visitantes e dinamizar a economia regional.
O novo produto turístico, denominado Comboio Histórico a Vapor Templário, foi apresentado hoje em Tomar, numa cerimónia que incluiu a assinatura de um protocolo entre a CP – Comboios de Portugal, a Câmara Municipal e a Fundação Museu Nacional Ferroviário.
“Estamos a contribuir para atrair visitantes, para valorizar os recursos que existem e para gerar atividade nesses territórios”, afirmou o presidente da CP, Pedro Moreira, durante a sessão realizada nos Paços do Concelho de Tomar.
O responsável considerou que os produtos turísticos ferroviários podem dinamizar as economias regionais, dando a conhecer a história, a cultura e a gastronomia, numa estratégia que associa transporte, turismo e coesão territorial.
“Quando falamos de produtos turísticos, estamos a falar também de ferrovia, também de coesão territorial”, sublinhou, defendendo que o comboio pode criar oportunidades de descoberta do país.
A iniciativa realiza-se nos dias 7 e 8 de novembro, com oito circulações entre Entroncamento e Tomar, numa composição de cinco carruagens históricas de madeira, tracionadas pela locomotiva a vapor CP 0186, que entrou ao serviço em 1925.
Sob o tema “A Viagem dos Cavaleiros do Templo”, a experiência inclui animação e recriações inspiradas na Ordem dos Templários, transportando simbolicamente os passageiros ao século XII, através de personagens e histórias medievais.
“Será uma viagem no tempo entre o século XXI e o século XII”, afirmou Pedro Moreira, destacando a conjugação de dois territórios com identidades distintas: o Entroncamento, ligado à ferrovia, e Tomar, marcada pelo legado templário.
Para o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, o projeto representa uma oportunidade de reforçar a atratividade turística do concelho, com benefícios para o comércio, restauração e hotelaria.
“É precisamente isso que queremos, que mais pessoas venham a Tomar, que conheçam o nosso concelho, passeiem pelas nossas ruas, que entrem nas nossas lojas, que frequentem os nossos restaurantes e hotéis e que tenham vontade de ficar e de regressar”, afirmou.
O autarca recordou que a locomotiva entrou ao serviço no ano em que começaram as obras do Ramal de Tomar, inaugurado em 1928, e que a cidade foi, em 1933, o primeiro destino dos Expressos Populares da CP, destinados à promoção turística.
O presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, Manuel Cabral, valorizou a parceria, considerando que a conjugação da história ferroviária com o património templário permite criar experiências diferenciadoras.
“Para o turismo há duas expressões, duas palavras, duas questões que são absolutamente essenciais para atrair visitantes. A primeira é a experiência e a segunda é emoções”, afirmou, defendendo mais iniciativas de valorização do património ferroviário.
A oferta inclui visitas guiadas gratuitas ao centro histórico de Tomar para passageiros provenientes do Entroncamento e entrada gratuita no Museu Nacional Ferroviário para quem realize o percurso inverso.
Pedro Moreira revelou que já estavam vendidos mais de metade dos lugares disponíveis e manifestou a expectativa de que a parceria continue para além das viagens anunciadas.
“Espero também que esta iniciativa não morra por aqui”, afirmou o presidente da CP, admitindo o alargamento da oferta.
Tiago Carrão admitiu igualmente que o projeto possa repetir-se ou até assumir “um caráter mais regular”, caso a experiência tenha resultados positivos.
Os bilhetes custam 26 euros para adultos e 13 euros para crianças dos 4 aos 12 anos, com partidas do Entroncamento às 10h06 e às 16h40 e de Tomar às 12h15 e às 18h55, nos dois dias.
