A Catedral de Santarém recebe, este sábado à noite, a encenação de 23 telas de Michelangelo Caravaggio, um espectáculo de quadros vivos da companhia italiana Ludovica Rambelli, que estará em Portugal este fim de semana para três representações.

João Aidos, responsável pelo projecto Santarém Cultura, disse à Lusa que a vinda da companhia a Portugal, graças a uma parceria com o Fundão e com Aveiro, foi uma oportunidade depois de anos a seguir à distância o seu trabalho.

“É uma outra forma artística de mostrar a grande obra de Caravaggio” (pintor italiano dos século XVI-XVII, primeiro grande representante do estilo barroco), disse, sublinhando que o espectáculo usa um único ponto de luz para iluminar a cena, reproduzindo os fortes contrastes de luz e sombra dos quadros do pintor.

Usando os corpos dos actores, bem como objectos do quotidiano e tecidos drapeados, as mudanças de quadros são feitas todas à vista, marcadas pela música de Mozart, Bach, Vivaldi e Sibelius.

“É uma acção muito rítmica”, disse, salientando que a performance vai ocorrer num “espaço magnífico”, a Sé Catedral de Santarém, no âmbito de uma parceria entre o Santarém Cultura e a diocese, cumprindo um dos objectivos do projecto cultural do município escalabitano de levar eventos a vários espaços da cidade.

“É uma experiência mesmo única, são quadros vivos incríveis, com um grande impacto visual, a não perder”, declarou, salientando que o espectáculo trazido à cidade se “adequa à riqueza patrimonial de Santarém e à época pascal” do calendário religioso.

Além de Santarém, o espectáculo “La Conversione di un Cavallo” estará na sexta-feira à noite na Igreja Matriz do Fundão e no domingo, também à noite, na Igreja das Carmelitas, em Aveiro.

O espectáculo surgiu em 2006, graças a um projecto da Faculdade de Arquitetura Luigi Vanvitelli, em Nápoles, desenvolvido por Ludovica Rambelli, directora do Malatheatre, que recuperou a técnica dos quadros vivos, popular no século XVIII.

Após a morte da actriz, dramaturga e encenadora, em 2017, a companhia Ludovica Rambelli, dirigida pela actriz, performer e professora de teatro Dora de Maio e residente permanente do Museu Diocesano da Igreja Donnaregina Nuova, em Nápoles, tem procurado manter viva a pesquisa e a técnica desenvolvida por Ludovica Rambelli.

Os oito actores em cena irão representar um total de 23 quadros de Caravaggio num espectáculo que dura cerca de 40 minutos.

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