A Biblioteca Municipal Marquesa de Cadaval, em Almeirim, acolhe até 14 de Fevereiro a exposição A Harmonia da Contemplação, da pintora Dina Oliveira, um convite à pausa num tempo marcado pela aceleração e pelo ruído. Através da paisagem, do silêncio e da recuperação de objectos sem utilidade, a artista propõe uma relação mais sensível com a natureza e com o mundo que nos rodeia, defendendo a arte como espaço de serenidade, consciência ambiental e encontro genuíno com o olhar do outro.

A exposição “A Harmonia da Contemplação”, patente na Biblioteca Municipal Marquesa de Cadaval, propõe um tempo de pausa e de observação num quotidiano cada vez mais acelerado. Que ideia ou inquietação esteve na origem deste conjunto de obras?

Transmitir aos visitantes o que sinto ao olhar a natureza, que nos traz paz, silêncio e harmonia para nos sentirmos bem connosco próprios. Algo simples e tão em desuso na actualidade.

A contemplação, o silêncio e a relação do ser humano com os espaços e os objectos surgem como eixos centrais do seu trabalho. De que forma estes temas atravessam o seu processo criativo e a sua linguagem pictórica?

Retratar momentos deslumbrantes da paisagem sempre foi apaziguador para mim. A recuperação de objectos que já não têm utilidade é também uma forma de contribuir para a sustentabilidade e de apaziguar as alterações climáticas. Os processos criativos são muito importantes porque me completam e, ao partilhá-los, penso que estou a transmitir valores ligados à preservação do meio ambiente.

Expor numa biblioteca acrescenta uma camada simbólica particular ao contacto com a obra artística. Que importância atribui a estes espaços enquanto lugares de cruzamento entre artes visuais, leitura e comunidade?

Sem dúvida que as bibliotecas proporcionam um feedback diferente das exposições realizadas em espaços direccionados apenas para expor. São locais frequentados por várias faixas etárias, desde crianças à idade sénior, que procuram enriquecer o conhecimento e que já valorizam as artes. O maior proveito é receber opiniões genuínas das crianças e perceber o que lhes foi transmitido. É uma mais-valia incutir nelas a mensagem global da exposição.

O seu trabalho revela uma preocupação evidente com o equilíbrio, a serenidade e a sensibilidade visual. Trata-se de uma escolha estética consciente ou de uma consequência natural da sua forma de olhar o mundo?

É a minha identidade natural, adquirida com os valores que fui colhendo ao longo da minha vivência. Se toda a humanidade tivesse mais sensibilidade e respeito na forma de olhar o que nos rodeia, haveria certamente menos ódio, mais consciência na preservação da natureza e um mundo menos agressivo.

Que papel podem exposições como esta desempenhar na aproximação do público às artes visuais e que caminhos gostaria de continuar a explorar no seu percurso artístico após “A Harmonia da Contemplação”?

Aproximar o público das exposições é relativo. Sinto que a sociedade vai perdendo esse hábito, também por falta de incentivo na formação escolar. Mas os que vão, vão por gosto e com olhos de ver. Já estou a trabalhar numa futura exposição, com uma temática e mensagem diferentes, que ainda não quero revelar. No entanto, jamais deixarei de retratar os momentos paisagísticos que me apaziguam.

Um título para o livro da sua vida?

Inacabada.

Viagem?

Algumas, desde que contenham arte e natureza que possa perscrutar.

Música?

Muitos géneros, da clássica ao hip-hop. Sean Riley & The Slowriders e Noiserv têm um poder criativo muito forte em mim.

Quais os seus hobbies preferidos?

Ler, ouvir música, contemplar a paisagem, pintar e criar.

Se pudesse alterar um facto da História, qual escolheria?

O presente: destituía Trump. Assusta-me o rumo das políticas trumpistas.

Se um dia tivesse de entrar num filme, que género preferiria?

Não entraria num filme, porque não gosto de representar; gosto de ser eu própria. O filme que mais me sensibilizou foi O Piano, de Jane Campion.

O que mais aprecia nas pessoas?

Honestidade.

O que mais detesta nelas?

Hipocrisia.

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