Pela primeira vez na história desta competição, a União Desportiva de Santarém vai estar na fase de apuramento de campeão da Liga 3, não só por ter vencido o histórico e verdadeiro Belenenses na derradeira ronda da primeira fase, mas por não ter conhecido o sabor amargo da derrota nas últimas oito jornadas da prova.
Qualquer que seja o resultado da participação nesta fase de apuramento de campeão, uma coisa é certa, a equipa garantiu já a permanência na Liga 3 na próxima época, o que lhe permitirá preparar melhor a nova temporada.
Mas quem sonha, sonha sempre positivo – o sonho comanda a vida – e a actual direcção deste clube sonha alto e encara o futuro “com ambição renovada”.
E se para quem o gere “o céu é o limite”, este União que agora renasce em Santarém, é, hoje, uma equipa com os pés bem assentes na terra, consciente das dificuldades, cuidadosa nos investimentos, mas fundamental para que a cidade de Santarém se projecte no mundo do futebol, o que nem sempre é fácil porque se trata de uma selva onde apenas os mais fortes sobrevivem.
Lutar pela Liga 2, na corrida aos escalões profissionais, poderá ser um passo mais largo do que a perna, mas quem gere um clube sabe que a ambição é o que move uma massa associativa que apenas vibra com as vitórias. E essa sempre foi a mensagem que homens como José Gandarez e Pedro Patrício passaram à cidade. Sempre procuraram dar passos firmes no caminho da afirmação do clube e na ambição de o ver chegar ao topo do futebol português.
Em Santarém muitos ainda olham com desconfiança tanta ambição em redor de um clube que quer primeiro ganhar a confiança da cidade e de toda a região para que depois possam, juntos, encher o velhinho Chã das Padeiras no incentivo incondicional à equipa cuja luta dentro das quatro linhas deverá honrar o apoio que recebe das bancadas. Um percurso exigente, mas agora não há volta a dar: é pegar ou largar.
Saberemos nós, os scalabitanos, estar à altura da ambição do clube?
Saberão as pessoas de Santarém encher o Chã das Padeiras quando, à mesma hora, Benfica ou Sporting jogarem nos seus estádios?
Poderemos sonhar com o bairrismo dos anos 80 em que a União foi campeã em todas as categorias (época de 1984-85), um ano de ouro para o futebol do clube scalabitano, dos infantis aos seniores?
Saberá a cidade honrar a letra do hino da União escrita com paixão pelo poeta Victor Rodrigues e “Elevar bem alto o nome de Santarém”?
Caberá à cidade responder e dizer que clube quer no presente e para o futuro.
