A Casa do Professor de Santarém recebeu esta terça-feira, 13 de outubro, a apresentação do livro de poesia Nada Toca o Infinito, de Everilde Pires, cujo título nasceu de um verso da própria autora.
“O nome do livro surgiu de um primeiro verso de uma poesia que se chama Infinito, no qual desenvolvo o tema da finitude da vida”, explicou Everilde Pires. De acordo com a escritora, os poemas partem da observação e da celebração da natureza, culminando numa associação com a condição humana.
Nesse sentido, a coletânea aborda temas como a memória e a natureza, estando os poemas e os textos em prosa fortemente enraizados nos eventos histórico-sociais dos séculos XX e XXI portugueses.
Além de constituir um lugar de contestação, denúncia e anseio por um mundo melhor e coletivo, o livro dialoga também com múltiplos textos de autores portugueses, entre os quais Luís de Camões e Fernando Pessoa, interrogando os mistérios do sentido da vida e da própria história.
Nada Toca o Infinito centra-se ainda na inscrição da individualidade do sujeito poético em relação ao mundo que o rodeia e ao seu próprio mundo interior, com “pinceladas de musicalidade”.
“Para mim, a poesia tem de ser uma espécie de canção. Às vezes acontecem aliterações, que saem sem querer e que resultam, porque eu quero mesmo que as palavras sejam música”, sublinhou Everilde Pires.
A apresentação da obra contou com a leitura de poemas escolhidos pela professora Berta Pereira e um momento de debate com o público.
A sessão integrou o programa “Outubro — Mês do Professor” e incluiu-se nas “Tardes Culturais” promovidas pela Delegação de Santarém da Associação de Solidariedade Social dos Professores.
Natural do distrito de Bragança, Everilde Maria de Oliveira Pires licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas pela Universidade de Coimbra e desenvolveu grande parte da sua carreira docente em Santarém. Ensinou História no ensino secundário e Português no 2.º ciclo, tendo passado também pelo Magistério Primário e pela Escola Superior de Educação de Santarém. Em 1989, concluiu o Curso Superior Especializado em História e Literatura Africana e Ensino do Português em África, no Instituto Politécnico de Santarém.
Entre 1980 e 1990 orientou estágios e, durante vários anos, coordenou a formação de professores no SPGL, em Santarém, e no Instituto Irene Lisboa. O percurso profissional, a experiência no ensino e o interesse pela Literatura e pela condição humana acabariam por reforçar uma dedicação à escrita que acompanha a autora há vários anos. Colaborou também no semanário Correio do Ribatejo, onde publicou, em colaboração com Maria Manuel Simão, uma obra de carácter histórico e pedagógico intitulada Mestre Cid e a escola do seu tempo.




