A oitava edição do Festival de Órgão de Santarém (FÓS), apresentada esta sexta-feira, 30 de Outubro, no Museu Diocesano, pretende reforçar a projecção internacional do certame e aproximar novos públicos do património organístico da cidade. Entre as novidades está a primeira encomenda de uma composição original para um dos órgãos históricos de Santarém, numa programação que volta a cruzar música antiga, criação contemporânea e diferentes expressões artísticas.
A aposta na internacionalização constitui uma das prioridades da nova edição do Festival de Órgão de Santarém, apresentada esta sexta-feira, na Sala Cosmos do Museu Diocesano, numa conferência de imprensa que reuniu representantes da Câmara Municipal, da Diocese e da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, instituições parceiras na organização do evento.
Na sua intervenção, o vice-presidente da Câmara Municipal, Emanuel Campos, destacou o percurso de afirmação do festival e defendeu a criação de condições para uma nova etapa, assente no estabelecimento de parcerias internacionais, na atracção de intérpretes estrangeiros e na valorização dos órgãos históricos enquanto elementos distintivos do património cultural da cidade.

O autarca considerou que o festival deve funcionar também como um instrumento de promoção de Santarém além-fronteiras, sem perder a ligação às comunidades locais, às escolas, aos jovens músicos e às instituições sociais do concelho.
A programação apresentada pelo director artístico mantém uma linha de continuidade entre tradição e contemporaneidade, procurando demonstrar que os instrumentos históricos podem acolher repertórios e propostas artísticas que ultrapassam os formatos convencionais da música de órgão.
Uma das principais novidades é a primeira encomenda de uma composição original feita pelo festival. O desafio foi lançado ao compositor e organista João Santos, que escolheu o órgão da Igreja da Misericórdia de Santarém para a criação de uma obra especificamente concebida para as características daquele instrumento.

A iniciativa pretende constituir o primeiro passo para a formação de um repertório próprio, capaz de valorizar a singularidade dos órgãos históricos da cidade e contribuir para a sua divulgação junto de intérpretes e públicos nacionais e internacionais.
A estreia será antecedida por uma mesa-redonda dedicada ao processo criativo, permitindo conhecer as opções do compositor e a relação entre a escrita musical contemporânea e as características técnicas e sonoras de um instrumento histórico.
A edição de 2026 volta igualmente a apostar na presença de músicos nacionais e estrangeiros, em concertos que combinam o órgão com diferentes instrumentos, formações vocais e propostas multidisciplinares.
Entre os momentos anunciados está um concerto com o organista Sérgio Silva e a acordeonista Inês Vaz, marcado para 21 de Novembro, na Igreja da Misericórdia de Santarém. A programação contempla ainda recitais de música antiga, concertos corais, espectáculos que cruzam música e literatura e propostas especialmente concebidas para o público infantil.
O festival reserva também espaço aos jovens organistas em formação, proporcionando-lhes a oportunidade de actuar perante o público nos instrumentos históricos da cidade. A vertente pedagógica será reforçada através de sessões dedicadas ao funcionamento dos órgãos, à sua construção e às particularidades da interpretação musical.
A iniciativa mantém ainda a descentralização cultural através do ciclo “À Volta do FÓS”, que leva espectáculos a diferentes localidades do concelho, procurando alargar o acesso à programação para além do centro histórico de Santarém.
Durante a apresentação, José Miguel Correia Noras, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, destacou a importância histórica do património organístico da instituição e o papel que estes instrumentos desempenham na identidade cultural e religiosa da cidade.
