A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo quer criar um parque empresarial com uma área potencial de 1.084 hectares em Alcanena e Torres Novas, para captar investimentos industriais e logísticos de dimensão nacional, foi hoje anunciado.
A proposta, apresentada à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), pretende afirmar o território como “uma nova centralidade de investimento empresarial”, segundo um comunicado da CIM Médio Tejo.
O projeto foi apresentado no âmbito do processo de identificação das Áreas Empresariais Estratégicas (AEE) de interesse nacional, visando reforçar a capacidade de atração de empresas e criação de emprego.
A primeira fase contempla 388 hectares, dos quais 40 já se encontram em obras de infraestruturação, 141 estão classificados como espaço industrial e 207 permanecem em fase de classificação.
Segundo o documento técnico que acompanha a proposta, a que a Lusa teve acesso, a empreitada em curso, correspondente ao primeiro setor da área empresarial, tem conclusão prevista para o segundo trimestre de 2027.
Numa segunda fase, os municípios propõem uma expansão de aproximadamente 696 hectares, distribuídos por Alcanena, com cerca de 560 hectares, e Torres Novas, com 136, elevando a dimensão potencial do parque para 1.084 hectares.
A CIM considera que esta dimensão permitirá acolher investimentos produtivos e logísticos de grande escala, reforçando a competitividade económica da região Oeste e Vale do Tejo.
Entre as principais vantagens identificadas está a localização junto ao eixo das autoestradas A1 e A23, com ligações aos principais corredores rodoviários nacionais e ao mercado ibérico.
A proximidade à estação ferroviária do Entroncamento e aos terminais de Porto Seco de Riachos e Entroncamento é também apontada como fator de competitividade para empresas ligadas à distribuição de mercadorias e às cadeias internacionais de abastecimento.
O estudo apresentado pelos municípios indica que a área de influência do futuro parque, considerando um raio de deslocação de 30 minutos, abrange mais de 200 mil habitantes, constituindo uma base relevante para o recrutamento de trabalhadores.
Segundo um relatório da consultora CBRE, de 2024, 39% dos inquiridos admitia procurar novos espaços logísticos, enquanto a indústria transformadora, os transportes e a armazenagem representavam cerca de 40% do emprego na Região Centro.
Entre os operadores logísticos, 42% manifestavam intenção de expansão, percentagem que atingia 36% no retalho e na indústria. Dos inquiridos que previam expandir-se, 54,5% apontavam a Região Centro como destino potencial.
Além da disponibilização de terrenos para novas empresas, a estratégia contempla incentivos fiscais à instalação e expansão de atividades económicas, apoio ao comércio e à criação de emprego qualificado, bem como uma “via verde para o investimento”, destinada a agilizar os processos empresariais.
Estão também previstas soluções de habitação a custos acessíveis para trabalhadores e famílias, bem como intervenções de regeneração urbana e valorização dos centros urbanos.
A CIM defende que a articulação entre os dois municípios é fundamental para atrair investidores e reforçar a capacidade produtiva regional.
A proposta procura obter reconhecimento como área empresarial de interesse estratégico nacional, não sendo indicados o investimento global necessário nem os prazos para a expansão.
A CIM do Médio Tejo integra 11 municípios do distrito de Santarém: Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
